quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Um pedido estranho!




Chegaram os dois. Um casal. Faziam um bonito par.
Ela, uma mulher ainda muito bonita e elegante, dir-se-ia encantadora. Gestos femininos. Mãos esguias, rematadas por umas unhas longas, muito bem pintadas. O vestido em tons de cinza fazia realçar o verde esmeralda de uns olhos grandes e ornados de belas e compridas pestanas, muito bem pintadas. Os lábios bem feitos, algo carnudos, mas não em demasia, eram de um rosa velho, transparente. A boca brilhava, parecia um doce, era convidativa. O cabelo louro caía-lhe  sobre os ombros estreitos em caracóis largos. O decote do vestido mostrava um pouco dos seus seios. Das orelhas pendiam uns brincos de prata em forma de coração invertido com lágrimas pendentes. O vestido era curto, mas não muito. Na cintura um cinto fino e nos pés umas botas também cinzentas. Nas costas do vestido, abria-se uma fresta do decote até à cintura que deixava ver um interior todo em renda preta. A fresta era fechada aqui e ali por laços cinzentos da cor do vestido. Tinha um ar de deusa. Não andava, pairava uns centímetros acima do chão.
Ele, talvez mais velho, não sei. Era ligeiramente mais alto do que ela. Cabelo ralo, castanho escuro, olhos cor de mel. A boca era um risco austero, muito direito, mal se lhe percebiam os lábios. As mãos eram grossas e as unhas muito curtas, dir-se-ia que as roía. Umas calças cinzentas, de corte clássico, uma camisa de seda cor de violeta, um casaco em tons de cinza e sapatos pretos, brilhantes.
Ele colocou-se junto à ombreira da porta e deu-lhe passagem. Enquanto ela deambulava pelo quarto como que a recordar, a tentar lembrar-se de algo, ele mantinha-se perto da porta, sorridente. Observava-a. Os seus olhos não a deixavam, acompanhavam cada passo, cada gesto... Ele não conseguia esconder: amava com todas as suas forças aquela mulher.
- Lembras-te? – perguntou-lhe com a voz um pouco alterada pela ansiedade.
- Sim... – respondeu-lhe.
- Muitos anos passaram, mas continuo a amar-te da mesma maneira... Não. Mais... é muito mais intenso o que sinto agora por ti.
Ela virou-se para ele, o seu olhar brilhante não deixava transparecer qualquer tipo de emoção.
- Queres fazer voltar o tempo que passou?
- Não. Quero voltar a ter-te como naquele dia, há vinte anos. Quero que me ames como naquele dia. Eu amo-te ainda mais! Eu tenho saudades de ti!
- Saudades de mim?!
- Tu percebes o que te quero dizer! Tu estás sempre comigo, mas não estás! E eu fui e sou, no fundo sou, tão feliz contigo!
- Estou sempre contigo.
- Fisicamente estás! Eu queria ser tão feliz contigo, aqui, como o fui há precisamente vinte anos. E queria passar mais vinte anos contigo. Eu não sei viver sem ti. Tu, pelo contrário, não precisas de mim para nada!
- Não digas disparates!
- Vou buscar uma coisa, não me demoro.
Ela assentiu com a cabeça. Ele dirigiu-se à porta, mantendo os olhos no rosto dela, nos olhos dela. Fechou a porta devagar.
Ela sentou-se na cama, olhou-me, passou as mãos pelo monograma, um M entrelaçado num J. Sorriu. Alisou-me os folhos e ficou com o olhar algo perdido nos desenhos lavrados na colcha.
O seu pensamento arrastou-a. Os seus olhos mostravam uma certa tristeza e na sua cabeça desenhava-se um emaranhado de ideias, de recordações, de memórias... juntavam-se palavras, formavam-se pensamentos. A confusão era tal naquela cabeça linda e loura que eram audíveis:
Hoje é dia de ser feliz, hoje e todos os dias!
Mas, por vezes, pergunto-me o que é mesmo a felicidade e as lágrimas teimam em escorrer-me pela cara. Já fui muitas vezes feliz. Sou-o na maior parte das vezes.
Sou bonita e elegante. Sou boa pessoa, não prejudico ninguém. Sou amiga dos meus amigos e se for preciso defendo-os com unhas e dentes. Tenho convicções e quando tenho razão não desisto e vou à luta, custe o que custar. Não me dobram facilmente! Mas, dou o braço a torcer, quando concluo que não tenho razão e, então, peço desculpa facilmente.
Mas, hoje é dia de comemorar! Comemorar o quê? O cativeiro?, como disse logo de manhã com o melhor e mais bonito dos meus sorrisos!
Comemorar o amor? Comemorar uma vida em comum com alguém, quando descobrimos que, afinal, temos tão pouco em comum?
A vida é, muitas vezes, feita de escolhas. Umas boas, outras más, outras... do mal o menos! Fiz boas escolhas e más, como toda a gente. Mas, deixei muitas vezes que escolhessem por mim. É muito mais fácil! Se correr mal, não participei nessas escolhas! Mentira! Não participei, mas dei o meu aval, quem cala, consente, não é?
E agora, depois de uns tantos anos a deixar algumas decisões em “mãos alheias”, a deixar que outros tomassem a rédeas da minha vida, sinto-me entre a espada e a parede. Quero sair, quero decidir, mas algo me impede. O quê?, não sei! Logo que saiba, tomarei uma decisão. E será que tomarei mesmo? E será que tomarei a decisão correcta?

A porta abriu-se suavemente. Ele entrou a sorrir, na mão trazia uma pequena caixa. Joelhou-se aos pés dela, pousou a caixa no chão e agarrou-lhe as mãos, afagou-lhas, levou-as aos lábios e olhando-a nos olhos, depositou uma série de beijos leves nas mãos que tentavam esgueirar-se... Acariciou-lhe os dedos esguios. Levou-os à boca e chupou-lhos um a um, mordiscou-lhos.
- Pára! – pediu-lhe.
- Não páro e se me fugires com as mãos, posso magoar-te – disse-lhe, olhando-a nos olhos.
- Trouxeste-me aqui para quê?
- Para te pedir uma coisa.
- Então pede e vamos embora! E era preciso trazeres-me aqui...
- Sim, era.
- Pede, então!
- Casa comigo.
Abriu os olhos de espanto, não estava a perceber aquele pedido.
- Nós somos casados!
- Eu sei, mas quero casar contigo outra vez. Caso-me contigo todos os dias da minha vida.
Tirou as alianças da caixa, colocou-as na palma a mão e disse:
- Caso-me contigo por mais vinte anos, depois casar-me-ei por outros vinte...
Ela estava atónita, a boca meio aberta, os olhos enormes de espanto, de admiração,  de estranheza, de assombro... Ficou paralisada, as palavras morreram-lhe todas na garganta, não conseguia articular nenhuma palavra, mas as lágrimas inundavam-lhe o verdor dos olhos. Ela pestanejava para afastar o líquido indiscreto, mas as gotas espreitavam pelo canto dos olhos à procura do melhor caminho para largarem a correr.
Enfiou-lhe a aliança no dedo inexpressivo, sem reacção e passou-lhe a dele, esticando-lhe o dedo anelar firme. Ela olhou-o nos olhos. Ele estava feliz e ela estava quase em pranto. Com os olhos nublados, enfiou-lhe o anel no dedo. As lágrimas rolaram e ele sorveu-lhas todas com beijos ternos, beijou-lhe as faces molhadas, os olhos, os lábios trémulos.
Ele pensava que era emoção, comoção... Ela estava aflita, angustiada...
E as palavras continuavam mortas, inertes, apagadas na garganta em nó. Não saíam, não queriam sair ou era ela que não as queria proferir.
Parecia mágico aquele momento, parecia irreal, retirado das páginas de um qualquer conto de fadas que termina sempre com “e viveram felizes para sempre”, só que o rosto dela era o espelho da aflição, de algum sofrimento também. Era o querer e o não querer. Era ter ali um homem bom, sensível, que a amava acima de todas as coisas... e... como lhe dizer... como confessar-lhe... que... já não o amava... dessa maneira. Que sentia apenas... um grande carinho... uma grande amizade... Que gostava da sua companhia... Que gostava que a fizesse rir... mas... mas... já não sentia amor. Não o queria magoar... isso nunca... Se lho digo... se lho digo... vai sofrer tanto!... Se... se não lho digo... vou sofrer tanto! Meu Deus, ajuda-me!
- Vamos ser felizes mais vinte anos?
- Hã
- Perguntei-te se vamos ser felizes mais vinte anos?
Tentava desenrodilhar as palavras, erguê-las, tentava colocá-las em fila, fazê-las marchar, correr... Mas, algo o impedia. E os pensamentos atropelavam-se-lhe na cabeça, digladiavam-se: “eu não posso fazer este homem sofrer”. “Ah, mas tu podes sofrer! Acaba logo com isso! Não arranjes desculpas.” “Hummm, afinal ainda o amas, deve ser isso, ainda o amas.” “Não amas nada, não podes amar duas pessoas ao mesmo tempo.”, “Não posso amar dois homens ao mesmo tempo?!”, “Não posso amar dois homens ao mesmo tempo?!”, “Não posso amar dois homens ao mesmo tempo?!”, “Não posso amar dois homens ao mesmo tempo?!”...
A frase, as palavras soavam, martelavam-lhe a cabeça, corriam de um lado para o outro desvairadas. Agarrou a cabeça com as duas mãos e gritou:
- Não! Não, não, não...
- Que se passa, estás bem?
- Quero sair daqui, preciso de apanhar ar.
- Ficaste muito emocionada, eu percebi, não estavas à espera...
- Leva-me daqui, por favor!
Ele ergueu-se, puxou-a pelos ombros, abraçou-a e levou-a. Já não flutuava, sentia-se pesada, mortificada.
- O ar vai fazer-te bem.
Beijou-lhe os cabelos e levou-a enlaçada para fora do quarto.



sábado, 26 de outubro de 2013

O maior segredo


Chegou o Outono e com ele o vento frio. O sol anda tímido, aparece meio envergonhado, desaparece... Parece estar a brincar permanentemente às escondidas. Folhas amarelecidas desprendem-se das árvores e andam num rodopio, bailando no ar, até que aterram suavemente no chão, outras são varridas para os vários cantos do jardim onde se amontoam à espera do jardineiro.
Eu ando, como o tempo, inibida... Não tenho ido para a varanda olhar o horizonte pintado de mil cores, tenho-me mantido recostada entre os braços do gentil travesseiro que me vai sussurrando palavras de amor que aprendeu com o último casal que pernoitou aqui. Estavam completamente apaixonados! Ainda me lembro do olhar de veneração dele... Voltarão, tenho a certeza! Eu gostaria que voltassem! Sou uma eterna e incorrigível romântica...
Quando vieram arrumar o quarto, ouvi a ruivinha dizer que viria um casal... Fico sempre curiosa! Ponho-me logo a fazer “filmes”, a compor uma história com personagens desconhecidas... Às vezes, saio-me bem e ela é mesmo loura e bonita e de olhos grandes e verdes, ou é morena, de olhos de veludo, cor de avelã... e eles são simpáticos, com uma voz meiga e, sobretudo, muito ternos e carinhosos. Outras vezes, engano-me completamente! Mas vou-me divertindo...

A porta abriu-se com mais força do que a necessária e bateu contra a parede. Ele puxava uma pequena mala tão desajeitadamente que embateu contra a ombreira da porta, enrodilhou o tapete... Estava nervoso! O rosto mostrava algum constrangimento, não parecia muito à vontade. Olhou em volta desconfiado, como se procurasse algo ou alguém... Largou a mala em cima do tapete enrolado e apressou-se a fechar a porta. Com os pés tentou endireitar o tapete e a mala caiu-lhe em cima dos sapatos brilhantes. Fez uma careta e pontapeou a mala que girou sobre si própria. Dirigiu-se ao cadeirão e sentou-se, os cotovelos sobre os joelhos, a cabeça entre as mãos. Havia um certo desespero no seu rosto, havia uma certa inquietude.
Olhei-o com atenção: era um homem elegante, loiro, olhos cor de avelã. Na mão esquerda brilhava uma aliança de ouro.
Muito bem, este desassossego poderá ter a ver com um encontro clandestino, pensei.
A porta abriu-se, de novo, desta vez, devagar.
- Bernardo, já chegaste?, desculpa atrasei-me.
Fiquei estupefacta, mais uma vez as minhas personagens, o meu filme... Encontro de negócios num quarto de hotel? Hummm... Não me parecia!
- Olá Gonçalo, cheguei há pouco.
Levantou a mala  do amigo e encostou-a à sua. Estendeu o tapete e olhou em redor.
- Bonito quarto!
Bernardo olhou e concordou:
- Sim. É muito bonito e parece confortável.
Alto, moreno, cabelo ondulado, ligeiramente despenteado, olhos esverdeados e no dedo da mão esquerda... uma aliança fina.
Cá estão as singulares personagens que vão pernoitar na minha companhia: Gonçalo e Bernardo.
- Está tudo bem contigo?, pareces abatido.
- Não. Estava a pensar... O que faz um tipo bem sucedido profissionalmente, casado com uma mulher maravilhosa aqui?
- Queres desistir? Sempre fomos amigos, continuaremos a nossa vida...
- Se elas descobrem o que se passa connosco?
- Não descobrem. Conhecemo-nos há anos, passamos férias juntos, frequentamos a casa um do outro... Jogamos ténis, vamos ao mesmo ginásio... Almoçamos juntos muitas vezes...
- Sim, tens razão.
- E as nossas mulheres são amigas...
- Não sei... Não sei como aconteceu isto!
- Bernardo, não temos de perceber como acontecem as coisas, acontecem e pronto!
- Aquele passeio à beira-mar, o pôr-do-sol, os raios enfraquecidos, mas quentes ainda...
- Os nossos olhos prenderam-se, estremeci, mas não consegui afastar o meu olhar do teu.
- A corrida, a água a salpicar-nos, as gargalhadas...
- Quando caíste, tropecei, caí sobre ti... e de novo os nossos olhares presos...
- Depois, despedimo-nos confusos.
- Tentei não pensar em ti, afastar-te dos meus pensamentos, enxotar-te para bem longe... Se tu não tivesses telefonado, acho que não daria nunca este passo.
- Telefonei e aqui estamos!
- Estamos!
- Vá lá, põe-te à vontade! Queres tanto como eu, se não quisesses não tinhas vindo!
Aproximou-se do amigo que continuava sentado, pôs-lhe uma mão no ombro, tentando acalmá-lo.
- Que se passa connosco? Sempre achei repugnante e...
- Palavras para quê? Eu também pensava como tu, até me sentir atraído...
Gonçalo passou a mão pelo cabelo do amigo, fê-lo levantar-se, abraçou-o e passou suavemente as mãos pelo corpo musculado.
Começaram a denudar-se, beijando-se e acariciando-se. A roupa ia ficando espalhada pelo chão, num rasto até à cama.
Estremeci, o que estou prestes a presenciar nunca me passou pela cabeça! Serei uma almofada pudica, conservadora, retrógrada, preconceituosa?
Bernardo deitou-se sobre a colcha lavrada e Gonçalo ficou de lado a admirá-lo e a acariciar-lhe os braços musculados, o peito, o ventre... Bernardo estava tenso ainda, mas quando Gonçalo lhe agarrou o mastro hirto e grosso, deixou-se levar... Acariciou o corpo moreno do amigo e depressa lhe começou também a afagar o membro escuro e brilhante.
Gonçalo  soergueu-se, deslizou sobre o corpo do companheiro e começou a lamber-lhe a barriga, o umbigo, a haste erecta e firme, as bolas, ao mesmo tempo que se masturbava.
Bernardo contorcia-se de prazer. Puxou o amigo e agarrou-lhe o pau com força, esfregando-o violentamente, olhando-o nos olhos.
- Ai a tua expressão! Que loucura! Que gozo me está a dar olhar a tua cara... as tuas pupilas estão dilatadas...
Num ápice, virou o amante, separou-lhe as nádegas e lambeu-lhe o buraco negro e penugento, cuspiu, introduziu-lhe um dedo, volteou, rodou, tornou a voltear... e enfiou-lhe um segundo dedo... Voltou de novo o amigo para si e abocanhou-lhe o varão, chupando-lho com força.
- Ohohohohoh..., vou-me esporrar todo, não aguento mais...
Mas, conteve-se, precisava de dar prazer ao seu deus louro.
Gonçalo começou a acariciar os ombros do companheiro e a lamber-lhe as costas e foi descendo, descendo até lhe chegar ao ânus. Lubrificou-lho com saliva, passou-lhe a língua várias vezes, o dedo e, por fim, penetrou-o bruscamente. E num vaivém enlouquecido, emitia sons roucos completamente imperceptíveis, enquanto o amante friccionava o mastro enorme e duro...
- Dava tudo para te olhar, para ver o teu rosto.
- Deixa-te de conversas e dá-me com toda a força, que estou quase a vir-me. Isso, isso...
- É agora que te vou dar o meu leitinho todo...
E acabaram por se satisfazerem em simultâneo entre gemidos roucos.
Largaram-se, olharam-se.
Gonçalo exclamou:
- Acabaram-se os tabus, começou aqui uma nova etapa, este é o maior segredo da nossa vida...
  


domingo, 6 de outubro de 2013

O primeiro de muito dias de amor





Ela continuava a brincar com os seus lábios nos dele: bailavam, esvoaçavam, roçavam, rasavam, ave leve de asas com penas de veludo que voluteava sensual sobre a boca dele, ávida e sôfrega, que se abria à espera do toque aveludado que passava ligeiro a roçagar...
- Os teus beijos, os teus lábios... o toque... a pele... Que loucura... tão bom... E o teu perfume, o teu cheiro...
Subiu uma perna e enlaçou-a na dele, prendendo-o. Ele segurou-lha, acariciou-lha.
- Deixa-me olhar-te nos olhos. Isto será só desejo?, atracção? Eu quero que seja mais... Quero-te, desejo-te... Quero entrar todo em ti...
- Queres?
- Não quero mais nada, só te quero a ti.
Ela estacou. A respiração de ambos galopava. Ele sentia o ar quente no pescoço, junto à orelha. O coração dela batia desenfreado contra o peito dele.
- Querida, tu és tão querida!
Olhou-a nos olhos e ficaram a olhar-se, extasiados. O tempo parecia ter parado, estava tudo parado, só os olhos falavam, pestanejavam, sorriam...
Puxou-lhe o fecho do vestido e com um dedo fez-lho descair dos ombros. O vestido tombou-lhe aos pés. Afastou-se e fê-la sair de dentro do vestido.
- Quero ver-te!
Distanciou-se, sentou-se no canapé, observando-a. Ela corou e a cor quente, o fogo ardente, que lhe subiu às faces, logo desceu por ela abaixo, estacando entre as pernas.
- Tu não fazes ideia de como és linda, perfeita! Despe o resto da roupa, quero ver-te!
E o fogo subiu de novo a toda a velocidade por ela acima.
- Ficas linda, assim, corada!
Deixou cair uma alça do soutien, depois a outra. Os olhos mantinham-se presos nos dele.
- Tira-o – disse, roucamente.
Foi com as mãos às costas e desapertou o soutien rendado que caiu entre eles. Ele agarrou-o e aspirou fortemente aquele perfume estonteante. Os seus olhos percorriam-lhe o corpo, o rosto, os cabelos, os pequenos montículos redondos e firmes, mais claros do que o resto do corpo bronzeado.
- Continua – pediu.
Ela curvou-se um pouco e fez deslizar as cuecas pelas suas pernas, bamboleando as ancas. Esticou-lhe uma mão, ela agarrou-lha e ele puxou-a fazendo-a sair do meio das cuequinhas minúsculas. Os seus olhos caíram de supetão naquele pequeno triângulo escuro.
- Não és loura? – perguntou.
- Sou – respondeu, vermelhecendo.
Ele apontou a pequena floresta sombria, mais escura do que o ouro do cabelo dela.
- Ah, os pêlos púbicos são sempre mais escuros do que o cabelo – explicou.
Ficou a olhar para ela, de alto a baixo.
- Tens um corpo magnífico, parece que foi cinzelado por um qualquer escultor do Renascimento, és uma Vénus, és mais perfeita do que a Vénus de Botticelli. Há inúmeros retratos e esculturas de Vénus, nenhum te chega aos pés.
- Louco.
Levantou-se, enlaçou-a pela cintura, beijou-a e empurrou-a para a cama. Deitou-se, vestido ainda, sobre ela e meteu o nariz no cabelo dela, aspirando-lhe o perfume, beijou-lhe a orelha, o pescoço, o queixo e deteve-se nos lábios macios, possuiu-lhe a boca com a sua, com a língua, entrando e saindo, ora devagar... devagarinho... ora depressa e com força. Ela sentia o peso do seu corpo contra o dela, sentia a pressão que ele fazia sobre ela, sentia o membro crescente, aprisionado nas calças de ganga, que ele pressionava fortemente contra ela. Correu  uma mão pelo corpo dela, enfiou-lhe um dedo na gruta humente e quente, abriu o fecho das calças, deixando sair o bicho que pulsava descontrolado e enfiou-o, de uma vez, dentro dela.
- Aiiiiiiii
- Estás tão quente, querida!
Ela gemeu, agarrou-lhe as presilhas das calças e puxou-o para si, queria-o todo dentro dela.
- Isso, puxa-me todo para dentro de ti.
E entre ais e gemidos, beijos e carícias, dançaram a dança do amor.
- Abre os olhos, quero ver os teus olhos quando te vieres, vem-te para mim.
Ela suspirou, abriu os olhos e aprisionou-os aos dele.
- Tu és tão linda e, neste momento, és toda minha. Sinto-te toda. É tão bom, quando estremeces entre os meus braços. 
Sorriu-lhe e, de repente, algo se soltou de dentro dela... Não, toda ela se libertou.
- Vem-te, querida!
- Aiiiiiii
Ele colou a boca à dela, abafando-lhe o grito.
- Ó querida, ó meu amor, eu senti-te toda, levei-te à lua – dizia, beijando-lhe as faces coradas, os olhos, o nariz, a testa. – Foi tão bom sentir-te.
Ela apertava-o ainda contra o seu corpo trémulo. Ele resvalou para o lado, saindo de dentro dela, continuando a beijá-la, a soprar-lhe para o rosto e para o peito. Agarrou-a e apertou-a contra si:
- És a minha menina! Adoro-te.
Ela beijou-o docemente uma e outra vez, tirou-lhe a t-shirt pela cabeça, desapertou-lhe o botão das calças, baixou-lhas e foi-lhas empurrando com os pés para baixo... ele contorcia-se ligeiramente para lhe facilitar a tarefa. Depois, nus, apertaram-se num abraço forte. A erecção dele mantinha-se contra o baixo-ventre dela.
- Ai a tua pele na minha!
Segredou-lhe um amo-te ao ouvido e um quero mais. Fê-la descair para o lado, agarrou-lhe as mãos, olhou-a nos olhos, deu um jeito ao corpo e penetrou-a de novo, sem despregar os olhos dos dela.
- Tu deixas-me louco, estás tão quente, é tão bom estar dentro de ti, quero morrer assim.
- Tonto.
E foram devagarinho, num vaivém cadenciado, saboreado, gemido, que ia ganhando e perdendo ritmo...
- Não, não feches os olhos! Ficam ainda mais bonitos os teus olhos, ficas linda a fazer amor.
- Deixa-me fechar os olhos.
- Não.
- Por favor!
- Não. Olha para mim.
- Larga-me as mãos, quero abraçar-te.
- Não. Não podes fazer nada. Pára. Não te mexas.
- Não consigo parar.
- Pára. Se não parares, páro eu e saio de dentro de ti. Sente só. Sente-me a entrar e a sair devagar, depressa, devagar, depressa... Não te mexas, não feches os olhos! Olha para mim! Só te podes mexer, quando to pedir.
Ela mordia o lábio, passava a língua pelos lábios, ofegava.
- Não mordas o lábio, pára quieta.
- Não consigo, estás a torturar-me.
- E não te venhas... Ainda não. Só quando te disser.
Ela torceu-se, respirou fundo para ver se aquele desejo desenfreado se afastava, enquanto ele investia fortemente e a enchia totalmente...
- Quando eu disser, tu vais vir-te toda... toda... para mim.
- E se não conseguir?
- Tu estás quase a explodir, minha linda, eu sinto-te toda. Estás tão linda, assim, à minha mercê, não, não te mexas, fica quieta.
Içou-se um pouco, abriu os braços e os dela, sempre com as mãos dela nas suas, beijou-lhe os lábios e, desenfreadamente, como se cavalgasse para a meta, entrou e saiu de dentro dela com toda a força.
- Agora, vem-te agora – disse-lhe ao ouvido.
E o rio, aprisionado na barragem, soltou-se, largou numa corrida veloz até ao mar. O vulcão entrou em erupção, espalhando a lava retida há muito na caverna escura e foi um ribombar, um latejar forte à volta do membro entumecido e agitado...
Olhou-a nos olhos, como que em adoração. O rosto sério. Ela sorriu-lhe, mas o sorriso foi-se desfazendo perante a seriedade dele.
- Tu és tão linda, eu não te mereço. Sou um velho ao pé de ti. O que viste em mim? Por que gostas de mim?
Ela olhava-o com os olhos enormes, como se estivesse a ouvir o maior dos disparates.
- Gosto de ti, só isso.
Estava dentro dela ainda e olhava-a, o seu olhar queimava, a boca numa linha apertada.
- Tu não te vieste!
- Não.
- Porquê? Não estava bom?
- Estava muito bom, nunca senti nada igual.
- Então?
- Queria dar-te todo o prazer, sentir-te, enlouquecer-te, ver como fazes amor, estava todo concentrado no teu sentir. Mas... agora... vou à lua contigo. Queres que me venha dentro de ti? Vou esvair-me todo em ti.
- Posso mexer-me?, apertar-te?, beijar-te?, fechar os olhos?
Ele abriu um grande sorriso ensolarado.
- Não podes.
- Oh!
- Deves, faz o que quiseres comigo, sou teu. Hoje, é o primeiro dia de muitos dias de amor. Vou fazer coisas contigo que nunca imaginaste, mas vamos devagarinho, não te quero assustar. Quando não gostares, dizes-me.
Agarrou-lhe o rosto, enterrou os dedos no cabelo fino e beijou-lhe os lábios, não o deixando prosseguir. Remexeu-se suavemente debaixo dele.
- Espera, quando te pedir para parares, pára.
Levantou a sobrancelha, mordeu o lábio, mas que raio...
- Está bem!
E suavemente, beijou-a, desprendendo-lhe o lábio dos dentes, lambeu-lhos, mordiscou-lhos e mexeu-se e remexeu-se contra e dentro do corpo dela. Ela enleou as pernas nas dele, cravou-lhe as unhas nas costas, depois veio descendo as mãos pelo corpo dele, agarrando-lhe com força as nádegas. Gemeram, estremeceram, murmuraram palavras doces, apertaram-se, bailaram enlaçados a dança dos corpos apaixonados e foram subindo, subindo, subindo...
- Vou-me vir – gemeu ela.
- Pára, pára agora!
Ela suspendeu aquele ritmo desvairado e sentiu as comportas abrirem-se completamente e a lava saltar, escorrer solta dentro dela, inundando-a, quente, espessa...
- Ó querida, ó meu amor... Vim-me tanto...
E apertava-a nos braços com força, contorcendo-se e estremecendo de prazer...
- Ó querido!
Ficaram abraçados, ofegantes...
- Vou ficar para sempre dentro de ti!
- Vais?
- Se tu quiseres!
Olharam-se apaixonadamente... felizes...