Chegou o Outono e com ele o vento
frio. O sol anda tímido, aparece meio envergonhado, desaparece... Parece estar
a brincar permanentemente às escondidas. Folhas amarelecidas desprendem-se das
árvores e andam num rodopio, bailando no ar, até que aterram suavemente no
chão, outras são varridas para os vários cantos do jardim onde se amontoam à
espera do jardineiro.
Eu ando, como o tempo, inibida...
Não tenho ido para a varanda olhar o horizonte pintado de mil cores, tenho-me
mantido recostada entre os braços do gentil travesseiro que me vai sussurrando
palavras de amor que aprendeu com o último casal que pernoitou aqui. Estavam
completamente apaixonados! Ainda me lembro do olhar de veneração dele...
Voltarão, tenho a certeza! Eu gostaria que voltassem! Sou uma eterna e
incorrigível romântica...
Quando vieram arrumar o quarto, ouvi
a ruivinha dizer que viria um casal... Fico sempre curiosa! Ponho-me logo a
fazer “filmes”, a compor uma história com personagens desconhecidas... Às
vezes, saio-me bem e ela é mesmo loura e bonita e de olhos grandes e verdes, ou
é morena, de olhos de veludo, cor de avelã... e eles são simpáticos, com uma
voz meiga e, sobretudo, muito ternos e carinhosos. Outras vezes, engano-me
completamente! Mas vou-me divertindo...
A porta abriu-se com mais força do
que a necessária e bateu contra a parede. Ele puxava uma pequena mala tão desajeitadamente
que embateu contra a ombreira da porta, enrodilhou o tapete... Estava nervoso!
O rosto mostrava algum constrangimento, não parecia muito à vontade. Olhou em
volta desconfiado, como se procurasse algo ou alguém... Largou a mala em cima
do tapete enrolado e apressou-se a fechar a porta. Com os pés tentou endireitar
o tapete e a mala caiu-lhe em cima dos sapatos brilhantes. Fez uma careta e
pontapeou a mala que girou sobre si própria. Dirigiu-se ao cadeirão e
sentou-se, os cotovelos sobre os joelhos, a cabeça entre as mãos. Havia um
certo desespero no seu rosto, havia uma certa inquietude.
Olhei-o com atenção: era um homem elegante,
loiro, olhos cor de avelã. Na mão esquerda brilhava uma aliança de ouro.
Muito bem, este desassossego poderá
ter a ver com um encontro clandestino, pensei.
A porta abriu-se, de novo, desta
vez, devagar.
- Bernardo, já chegaste?, desculpa
atrasei-me.
Fiquei estupefacta, mais uma vez as
minhas personagens, o meu filme... Encontro de negócios num quarto de hotel?
Hummm... Não me parecia!
- Olá Gonçalo, cheguei há pouco.
Levantou a mala do amigo e encostou-a à sua. Estendeu o
tapete e olhou em redor.
- Bonito quarto!
Bernardo olhou e concordou:
- Sim. É muito bonito e parece
confortável.
Alto, moreno, cabelo ondulado,
ligeiramente despenteado, olhos esverdeados e no dedo da mão esquerda... uma
aliança fina.
Cá estão as singulares personagens
que vão pernoitar na minha companhia: Gonçalo e Bernardo.
- Está tudo bem contigo?, pareces
abatido.
- Não. Estava a pensar... O que faz um
tipo bem sucedido profissionalmente, casado com uma mulher maravilhosa aqui?
- Queres desistir? Sempre fomos
amigos, continuaremos a nossa vida...
- Se elas descobrem o que se passa
connosco?
- Não descobrem. Conhecemo-nos há
anos, passamos férias juntos, frequentamos a casa um do outro... Jogamos ténis,
vamos ao mesmo ginásio... Almoçamos juntos muitas vezes...
- Sim, tens razão.
- E as nossas mulheres são amigas...
- Não sei... Não sei como aconteceu
isto!
- Bernardo, não temos de perceber como
acontecem as coisas, acontecem e pronto!
- Aquele passeio à beira-mar, o
pôr-do-sol, os raios enfraquecidos, mas quentes ainda...
- Os nossos olhos prenderam-se,
estremeci, mas não consegui afastar o meu olhar do teu.
- A corrida, a água a salpicar-nos, as
gargalhadas...
- Quando caíste, tropecei, caí sobre
ti... e de novo os nossos olhares presos...
- Depois, despedimo-nos confusos.
- Tentei não pensar em ti, afastar-te
dos meus pensamentos, enxotar-te para bem longe... Se tu não tivesses telefonado, acho que não
daria nunca este passo.
- Telefonei e aqui estamos!
- Estamos!
- Vá lá, põe-te à vontade! Queres
tanto como eu, se não quisesses não tinhas vindo!
Aproximou-se do amigo que continuava
sentado, pôs-lhe uma mão no ombro, tentando acalmá-lo.
- Que se passa connosco? Sempre achei
repugnante e...
- Palavras para quê? Eu também pensava
como tu, até me sentir atraído...
Gonçalo passou a mão pelo cabelo do
amigo, fê-lo levantar-se, abraçou-o e passou suavemente as mãos pelo corpo
musculado.
Começaram a denudar-se, beijando-se
e acariciando-se. A roupa ia ficando espalhada pelo chão, num rasto até à cama.
Estremeci, o que estou prestes a
presenciar nunca me passou pela cabeça! Serei uma almofada pudica,
conservadora, retrógrada, preconceituosa?
Bernardo deitou-se sobre a colcha
lavrada e Gonçalo ficou de lado a admirá-lo e a acariciar-lhe os braços
musculados, o peito, o ventre... Bernardo estava tenso ainda, mas quando
Gonçalo lhe agarrou o mastro hirto e grosso, deixou-se levar... Acariciou o
corpo moreno do amigo e depressa lhe começou também a afagar o membro escuro e
brilhante.
Gonçalo soergueu-se, deslizou sobre o corpo
do companheiro e começou a lamber-lhe a barriga, o umbigo, a haste erecta e
firme, as bolas, ao mesmo tempo que se masturbava.
Bernardo contorcia-se de prazer. Puxou o amigo e agarrou-lhe
o pau com força, esfregando-o violentamente, olhando-o nos olhos.
- Ai a tua expressão! Que loucura! Que
gozo me está a dar olhar a tua cara... as tuas pupilas estão dilatadas...
Num ápice, virou o amante,
separou-lhe as nádegas e lambeu-lhe o buraco negro e penugento, cuspiu,
introduziu-lhe um dedo, volteou, rodou, tornou a voltear... e enfiou-lhe um segundo dedo...
Voltou de novo o amigo para si e abocanhou-lhe o varão, chupando-lho com força.
- Ohohohohoh..., vou-me esporrar todo,
não aguento mais...
Mas, conteve-se, precisava de dar
prazer ao seu deus louro.
Gonçalo começou a acariciar os
ombros do companheiro e a lamber-lhe as costas e foi descendo, descendo até lhe chegar ao ânus. Lubrificou-lho com saliva, passou-lhe a língua várias vezes, o
dedo e, por fim, penetrou-o bruscamente. E num vaivém enlouquecido, emitia sons
roucos completamente imperceptíveis, enquanto o amante friccionava o mastro
enorme e duro...
- Dava tudo para te olhar, para ver o
teu rosto.
- Deixa-te de conversas e dá-me com
toda a força, que estou quase a vir-me. Isso, isso...
- É agora que te vou dar o meu
leitinho todo...
E acabaram por se satisfazerem em
simultâneo entre gemidos roucos.
Largaram-se, olharam-se.
Gonçalo exclamou:
- Acabaram-se os tabus, começou aqui uma
nova etapa, este é o maior segredo da nossa vida...

Minha querida amiga, desejo-te um FELIZ NATAL e um PRÓSPERO ANO NOVO.
ResponderEliminarBOAS FESTAS para ti e para a tua família.
Beijo.