Chegou um homem com bom aspecto,
alto, moreno, olhos cor de mel... Trazia um raminho de violetas na mão.
Sentou-se, à espera. Recostou-se. Olhou a suite, deslumbrou-se com a decoração
vitoriana, salpicada aqui e ali com objectos mais modernos. Puxou-me e colocou
a cabeça em cima de mim, numa posição mais confortável. Cheirava bem. Deitou-se.
Fechou os olhos. Pensava numa mulher, na sua mulher.
Conheceu-a através da prima, numa
festa de anos. Era graciosa, muito alegre. No grupo em que estava, todos riam.
- Quem é? - perguntara à prima.
- Vem, apresento-ta.
Ficou encantado, ela tinha um riso
fácil, era bonita e, sobretudo, inteligente. Ficou apanhadinho, como lhe disse
a prima a brincar.
Namoraram, casaram, nasceram dois
filhos. Viviam no meio de fraldas, birras, choradeiras.
O tempo não chegava, nunca chegava.
Os miúdos absorviam o tempo todo. Há quanto tempo não faziam amor com vagar, sem
serem interrompidos por uma qualquer embirração e pontapés na porta do quarto e
gritos descomunais, choros e lágrimas?
Ela não os podia ouvir dizer ai e
tudo acabava antes de ter começado ou a meio...
- Teremos de sair daqui para termos
alguma privacidade ou mandar os garotos passear por algum tempo... – dizia ela
a rir, conformada.
Ele é que não se conformava.
Primeiro, foi o trabalho que os separou
durante seis longos meses, quando foi para a Alemanha fazer uma série de
formações. Depois, nasceu o menino e, entretanto, surgiu a princesa. Ele
adorava os filhos, mas andava meio desesperado com aquele corre-corre para
tudo, sempre com os garotos às costas...
Há quanto tempo não tinham uma noite
romântica? Há quanto tempo não iam ao cinema ou jantar com amigos?
As saudades que teve quando foi para
a Alemanha são as mesmas que tem agora. Não, pior, muito pior! Agora, ela
está sempre ali e ele não lhe consegue chegar. Os filhos estão sempre primeiro!
Enquanto esteve na Alemanha, falavam
todos os dias no Messenger à noite, ao telefone de manhã e à hora do
almoço.
Ela dizia-lhe que tinha saudades,
que morria de saudades, que sentia a falta das mãos dele, da sua pele, dos seus
beijos, das suas carícias... E ele dizia-lhe: Faz das tuas as minhas mãos. E ela fazia. E ele
fazia também. Ao telefone, ela dizia-lhe o que lhe apetecia fazer e ele seguia
passo-a-passo as orientações que ela ditava: passa as mãos devagarinho, suavemente, demoradamente
pelo teu peito, belisca os teus mamilos, molha o dedos com saliva e passa-os
nos teus mamilos pensa que sou eu a passar com a minha língua... Põe os dedos
na boca, contorna-a delicadamente, uma borboleta a pousar, a saltitar sobre a tua boca quente. Lambe os dedos, mordisca-os, chupa-os. Palpa os teus lábios, sente a sua textura, o seu calor... a tua respiração quente. Leva as mãos, de novo, aos teus mamilos, bem
no topo e roda-os sob a polpa dos dedos, aperta-os docemente... Lambe os teus
lábios, o de cima, o de baixo, só o cantinho direito, agora o cantinho
esquerdo, morde o lábio superior como eu costumo fazer-te, chupa-o, lambe-o...
Agora o lábio inferior... Tens chocolate aí? Coloca um quadradinho na boca,
deixa-o derreter e vai lambuzando os lábios com ele... Já está? Então, põe os
dedos na boca, embodega-os de chocolate, abocanha os dedos, devora-os, lambe os
teus lábios, come-os...
Vá, diz-me como estás? Estava excitado,
claro! Aquela voz doce e sensual a sussurrar-lhe ao ouvido, a comandar...
Os gestos. O sabor. O calor. Contorcia-se de
prazer.
E ela continuava: com uma mão
continuas a acariciar-te no peito, nos mamilos, nos lábios... Passeia a tua mão
pelo teu corpo. Com a outra agarra o teu membro rijo, firme, e acaricia-o
devagar, não tenhas pressa. Com a ponta dos dedos, de cima a... a... baixo, da
base para... para... cima.
A voz saía-lhe entrecortada, abafada, lenta, o que
estaria ela a fazer? E prosseguia: imagina que é a minha mão. Encharca a mão
com saliva, os dedos, é a minha boca húmida que te está a chupar, que vai até à
base e volta para cima, aperta a cabecinha, é a minha boca a apertar-ta, a morder, a
chupar, a lamber... Coloca as duas mãos, entraste todo dentro de mim... Envolve
o teu bichinho com ambas as mãos...
Não páres, dizia-lhe, não páres,
aperta, faz agora com mais força... Vai...
E o vulcão entrava em erupção e a
lava escorria quente, leitosa...
As suas mãos eram as mãos dela, a
boca dela...

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