sábado, 25 de maio de 2013

Um sonho dourado



Devo ter adormecido momentaneamente embalada pelas lembranças daquele homem atraente. Ele dormitava, a sua respiração era serena e baloiçada... Sentiu-o mexer-se, levar a mão ao relógio. O seu rosto ensombrou-se levemente e uma ruga surgiu-lhe entre as sobrancelhas. Remexeu-se, inquieto. Escurecia. A luz chegava ténue, filtrada pelo leve cortinado que oscilava brandamente, roçando-se languidamente nos reposteiros pesados. A brisa morna batia-lhe na cara e no pescoço, parecia-lhe sentir o bafo quente, húmido e doce dela, quando se aproximava para lhe morder o pescoço e pestanejar-lhe a cara com as longas pestanas. Estremeceu, era tão real a sensação dos cílios na sua face, nas suas pálpebras cerradas... De repente, uma luz coada e dourada surgiu da porta, que se abria lentamente, num longo lamento, espalhando-se pelos quatro cantos do quarto. Frágil, trémula, raiada. A claridade brilhante difundia-se em vários tons de ouro. Um sonho dourado, pensou ele!
Eu empurrei-lhe a cabeça para cima, ele abriu os olhos que se prenderam na silhueta esguia parada à porta, envolta numa nuvem loura. Ergueu-se, apoiando-se nos cotovelos. Chegou ao paraíso, onde as deusas são belas e não têm filhos agarrados às pernas a chorar, a trepar...
E o sorriso resplandecente daquela ninfa convidava-o a levantar-se, a ir ao seu encontro, a despir-se, a despi-la para um abraço nu apertado...
       - Deus, estás linda, és linda...
E a sua boca procurou a dela avidamente, os seu braços enlaçaram-na como há muito não acontecia. As suas mãos pareciam aves revoltas, descendo-lhe pelas pernas e subindo-lhe por baixo do vestido à procura de pele... Ela tentava dentro daquele laço, chegar-lhe aos botões da camisa, ao fecho das calças... Num bater de asas, ele abriu o fecho do vestido e fez-lho deslizar pelos ombros, deixando-o cair aos seus pés. Desapertou-lhe o soutien e colou-se todo a ela. Estremeceram juntos.
A porta continuava aberta a peneirar a luz cada vez mais difusa e toldada. Encostou-a suavemente à porta até a fechar, puxou-a pelas pernas, escarranchou-a na sua cintura, rodopiou e levou-a até ao leito que se abria em flor. Ela deixou cair os sapatos antes de ele a guardar, com cuidado, na corola totalmente exposta, deslizou sobre ela, beijando-a e lambendo cada pedacinho de pele arrepiada até chegar às meias que arrancou com os dentes: primeiro uma, depois a outra. Beijou-lhe os pés, chupou-lhe os dedos, mordeu-lhos. E, de novo subiu, rente a ela para lhe surripiar o resto da lingerie à dentada, detendo-se demoradamente entre as suas coxas lisas, sedosas e perfumadas. As respirações inquietavam-se. Ela sentia o respirar dele, ali mesmo, perto da vulva e era quente e atribulado o hálito... Com os pés, ela soltou-o das calças e dos boxers...
Inesperadamente, ele pediu-lhe que fizesse das suas as mãos dele. Queria ver como é que ela fazia. Queria vê-la gozar. Queria vê-la atingir o clímax...
Incrédula, sorriu. Franziu a testa. Respirou fundo e, depois, demoradamente, expeliu o ar, suspirando baixinho.
      - Queres ver?
      - E ouvir.
    - Dá-me espaço, vou precisar de me esticar, de me encolher, de me enrolar, de me abraçar, de abrir as pernas... Passa-me uma almofada, o travesseiro.
Ele encolheu-se num canto da cama, apoiado nos almofadões e atirou-me com um sorriso de menino travesso. Ela agarrou-me, olhou-me e colocou-me debaixo da sua cabeleira fofa. O travesseiro duro, retesado voou e pousou-lhe entre as pernas. Ela riu e soltou um: é demasiado grosso e comprido. Enlaçou-o com as pernas, tinha o tamanho adequado e a rigidez necessária.
     -  Estás pronto!
     -  Sim! – a voz saiu-lhe estremecida. Estava completamente excitado, tentava esconder o pénis que teimava em erguer-se palpitante e tão rijo que lhe doía.
E ela começou uma dança oscilante, mutável... Era uma borboleta a desenvencilhar-se do casulo que a prende, baloiça, regamboleia, agita-se, contorce-se tão sensualmente... As mãos, os braços. Abraça-se, aperta-se. Crava os dedos nas suas costas. Arranha-se  agradavelmente. Geme baixinho. Lambe os lábios, passando a língua deliciosamente. Cerra os lábios. Chupa o lábio inferior e devora-o. Faz boquinhas. Fecha os olhos e logo os entreabre, procurando os dele completamente raiados de sangue pela excitação. Sorri. Aperta os seios com as mãos. Tem as mãos cheias. Belisca os mamilos, entala-os entre os dedos. Estremece. Os outeirinhos intumescem-se, vermelhejam. Leva os dedos à boca e molha-os, aguados condu-los aos mamilos que gira sob a polpa macia dos dedos. De repente, num número de contorcionismo nunca visto, chega com a boca aos montinhos erectos que lambe sofregamente e trinca como se fossem frutos frescos e sumarentos entre ais e suspiros e tremores espasmódicos... 
Ele retorce-se, está completamente fora de si, tenta agarrar-lhe as pernas, ela sacode-o, empurra-o com os pés, atira-lhe o travesseiro. Aquele é um momento singular e na primeira pessoa...
     - Nem penses!
     - Vou à casa-de-banho, tenho de refrescar-me, tu pões-me doido...
A água corria abundantemente da torneira, em cascata, sobre o membro completamente inchado, enorme, pulsante... Já meio recuperado, regressa e olha o rosto afogueado da companheira, os lábios inchados e rúbidos, o peito arquejante que subia e descia. Uma mão, em concha, sobre o monte de Vénus, onde brilhavam uns escassos pelinhos aveludados e reluzentes. A outra passeava-se pelos lábios entreabertos, pelo colo, pelos peitos altos e endurecidos e exaltados, pelo ventre liso, pelo umbigo, rodeando a cintura fina... O dedo médio abria caminho entre os grandes e os pequenos lábios, pressionava o clítoris alongado e eréctil, descendo à procura da gruta completamente inundada...
Subitamente, virou-se, colocou-se de joelhos, os seios a roçar no lençol de cetim, o braço flectido por baixo do rosto, enquanto a mão acariciava a nuca, o pescoço, os ombros...  As pernas entreabertas, desabrochadas. A mão em concha esmagava fortemente o pequeno órgão encrespado, o dedo maior mantinha-se no fundo da caverna imóvel... E o corpo da deusa, da ninfa, alçado, iniciou um vaivém crescente, para baixo, enterrando o pai-de-todos... para cima, deixando-o praticamente à vista, ganhando fôlego...
    - Deus, não aguento mais... – gritou ele roucamente, agarrando o pénis saltitante, trepidante.
      - Espera, é agora... – e a voz saía-lhe abafada, num sufoco.
      - Aiiiiiiiii, vou-me viiiiiirrrr!
Abafou o grito, mergulhando a cabeça entre o braço. O corpo tremia-lhe sem controlo. Virou-se, esticou-se, apertou as pernas sem tirar  a concha, o dedo. O corpo convulsivo ainda. Ele deslizou sobre o corpo dela e afogou a sua boca na dela. E ela sentiu-o desfazer-se todo sobre o seu ventre. Tombaram num abraço apertado, adormecendo serenamente.



1 comentário:

  1. Sabes contar histórias eróticas como poucos.
    Obrigado pela tua visita, volta sempre.
    Beijo.

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