Devo ter adormecido momentaneamente
embalada pelas lembranças daquele homem atraente. Ele dormitava, a sua
respiração era serena e baloiçada... Sentiu-o mexer-se, levar a mão ao relógio.
O seu rosto ensombrou-se levemente e uma ruga surgiu-lhe entre as sobrancelhas.
Remexeu-se, inquieto. Escurecia. A luz chegava ténue, filtrada pelo leve
cortinado que oscilava brandamente, roçando-se languidamente nos reposteiros
pesados. A brisa morna batia-lhe na cara e no pescoço, parecia-lhe sentir o
bafo quente, húmido e doce dela, quando se aproximava para lhe morder o pescoço
e pestanejar-lhe a cara com as longas pestanas. Estremeceu, era tão real a
sensação dos cílios na sua face, nas suas pálpebras cerradas... De repente, uma
luz coada e dourada surgiu da porta, que se abria lentamente, num longo
lamento, espalhando-se pelos quatro cantos do quarto. Frágil, trémula, raiada. A
claridade brilhante difundia-se em vários tons de ouro. Um sonho dourado,
pensou ele!
Eu empurrei-lhe a cabeça para cima,
ele abriu os olhos que se prenderam na silhueta esguia parada à porta, envolta
numa nuvem loura. Ergueu-se, apoiando-se nos cotovelos. Chegou ao paraíso, onde
as deusas são belas e não têm filhos agarrados às pernas a chorar, a trepar...
E o sorriso resplandecente daquela
ninfa convidava-o a levantar-se, a ir ao seu encontro, a despir-se, a despi-la
para um abraço nu apertado...
- Deus, estás linda, és linda...
E a sua boca procurou a dela
avidamente, os seu braços enlaçaram-na como há muito não acontecia. As suas
mãos pareciam aves revoltas, descendo-lhe pelas pernas e subindo-lhe por baixo
do vestido à procura de pele... Ela tentava dentro daquele laço, chegar-lhe aos
botões da camisa, ao fecho das calças... Num bater de asas, ele abriu o fecho
do vestido e fez-lho deslizar pelos ombros, deixando-o cair aos seus pés.
Desapertou-lhe o soutien e colou-se
todo a ela. Estremeceram juntos.
A porta continuava aberta a peneirar
a luz cada vez mais difusa e toldada. Encostou-a suavemente à porta até a
fechar, puxou-a pelas pernas, escarranchou-a na sua cintura, rodopiou e levou-a
até ao leito que se abria em flor. Ela deixou cair os sapatos antes de ele a
guardar, com cuidado, na corola totalmente exposta, deslizou sobre ela,
beijando-a e lambendo cada pedacinho de pele arrepiada até chegar às meias que
arrancou com os dentes: primeiro uma, depois a outra. Beijou-lhe os pés,
chupou-lhe os dedos, mordeu-lhos. E, de novo subiu, rente a ela para lhe
surripiar o resto da lingerie à
dentada, detendo-se demoradamente entre as suas coxas lisas, sedosas e
perfumadas. As respirações inquietavam-se. Ela sentia o respirar dele, ali
mesmo, perto da vulva e era quente e atribulado o hálito... Com os pés, ela
soltou-o das calças e dos boxers...
Inesperadamente, ele pediu-lhe que
fizesse das suas as mãos dele. Queria ver como é que ela fazia. Queria vê-la
gozar. Queria vê-la atingir o clímax...
Incrédula, sorriu. Franziu a testa.
Respirou fundo e, depois, demoradamente, expeliu o ar, suspirando baixinho.
- Queres ver?
- E ouvir.
- Dá-me
espaço, vou precisar de me esticar, de me encolher, de me enrolar, de me
abraçar, de abrir as pernas... Passa-me uma almofada, o travesseiro.
Ele encolheu-se num canto da cama,
apoiado nos almofadões e atirou-me com um sorriso de menino travesso. Ela
agarrou-me, olhou-me e colocou-me debaixo da sua cabeleira fofa. O travesseiro
duro, retesado voou e pousou-lhe entre as pernas. Ela riu e soltou um: é
demasiado grosso e comprido. Enlaçou-o com as pernas, tinha o tamanho adequado
e a rigidez necessária.
- Estás pronto!
- Sim!
– a voz saiu-lhe estremecida. Estava completamente excitado, tentava esconder o
pénis que teimava em erguer-se palpitante e tão rijo que lhe doía.
E ela começou uma dança oscilante,
mutável... Era uma borboleta a desenvencilhar-se do casulo que a prende,
baloiça, regamboleia, agita-se, contorce-se tão sensualmente... As mãos, os
braços. Abraça-se, aperta-se. Crava os dedos nas suas costas. Arranha-se agradavelmente. Geme baixinho. Lambe os
lábios, passando a língua deliciosamente. Cerra os lábios. Chupa o lábio
inferior e devora-o. Faz boquinhas. Fecha os olhos e logo os entreabre,
procurando os dele completamente raiados de sangue pela excitação. Sorri.
Aperta os seios com as mãos. Tem as mãos cheias. Belisca os mamilos, entala-os
entre os dedos. Estremece. Os outeirinhos intumescem-se, vermelhejam. Leva os
dedos à boca e molha-os, aguados condu-los aos mamilos que gira sob a polpa
macia dos dedos. De repente, num número de contorcionismo nunca visto, chega
com a boca aos montinhos erectos que lambe sofregamente e trinca como se fossem
frutos frescos e sumarentos entre ais e suspiros e tremores
espasmódicos...
Ele retorce-se, está completamente
fora de si, tenta agarrar-lhe as pernas, ela sacode-o, empurra-o com os pés,
atira-lhe o travesseiro. Aquele é um momento singular e na primeira pessoa...
- Nem penses!
- Vou
à casa-de-banho, tenho de refrescar-me, tu pões-me doido...
A água corria abundantemente da
torneira, em cascata, sobre o membro completamente inchado, enorme, pulsante...
Já meio recuperado, regressa e olha o rosto afogueado da companheira, os lábios
inchados e rúbidos, o peito arquejante que subia e descia. Uma mão, em concha,
sobre o monte de Vénus, onde brilhavam uns escassos pelinhos aveludados e
reluzentes. A outra passeava-se pelos lábios entreabertos, pelo colo, pelos
peitos altos e endurecidos e exaltados, pelo ventre liso, pelo umbigo, rodeando
a cintura fina... O dedo médio abria caminho entre os grandes e os pequenos lábios,
pressionava o clítoris alongado e eréctil, descendo à procura da gruta
completamente inundada...
Subitamente, virou-se, colocou-se de
joelhos, os seios a roçar no lençol de cetim, o braço flectido por baixo do
rosto, enquanto a mão acariciava a nuca, o pescoço, os ombros... As pernas entreabertas, desabrochadas. A mão
em concha esmagava fortemente o pequeno órgão encrespado, o dedo maior
mantinha-se no fundo da caverna imóvel... E o corpo da deusa, da ninfa, alçado,
iniciou um vaivém crescente, para baixo, enterrando o pai-de-todos... para
cima, deixando-o praticamente à vista, ganhando fôlego...
- Deus,
não aguento mais... – gritou ele roucamente, agarrando o pénis saltitante,
trepidante.
- Espera,
é agora... – e a voz saía-lhe abafada, num sufoco.
- Aiiiiiiiii,
vou-me viiiiiirrrr!
Abafou o grito, mergulhando a cabeça
entre o braço. O corpo tremia-lhe sem controlo. Virou-se, esticou-se, apertou
as pernas sem tirar a concha, o dedo. O
corpo convulsivo ainda. Ele deslizou sobre o corpo dela e afogou a sua boca na
dela. E ela sentiu-o desfazer-se todo sobre o seu ventre. Tombaram num abraço
apertado, adormecendo serenamente.


Sabes contar histórias eróticas como poucos.
ResponderEliminarObrigado pela tua visita, volta sempre.
Beijo.