quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O BEIJO




Acorda, acorda...
Ela abriu os olhos, sorriu esperançosa e virou-se para a porta para a abrir, mas os passos afastaram-se. Oh, não é ele!
O telemóvel tiniu. Foi ver. Uma mensagem: Estou preso no trânsito, houve um acidente qualquer. Não tenho a culpa. Já deves estar à minha espera. Por favor, não te vás embora. Respondeu-lhe: É melhor ir-me embora! Novo retinir. Não vás, espera, sonho com este encontro desde o miradouro. Não vás. Espera por mim, querida!
Pousou o iphone junto da mala e deu mais uma volta pelo quarto. Olhou-se ao espelho. Sorriu. Passou os dedos pelo cabelo. Piscou o olho. Sentou-se na cama e pegou em mim. Afagou-me, apertou-me contra o peito. Ouvi o bater do seu coração. As suas mãos eram delicadas e esguias, os dedos finos, as unhas perfeitas, longas, ovais, muito bem pintadas num tom de rosa suave e brilhante.
Ela sorriu-me como se se estivesse a lembrar de algo:

Vamos. Ele pegou-lhe na mão e seguiram para a estação do Metro. Agora, o terreno era direito, desenhado a preto e branco. Queres lanchar? Não, obrigada. Não tenho fome. Posso oferecer-te um bolinho, ao menos? Não. Estou bem. Um sumo? Sorriu. Não quero nada, obrigada. Pois eu quero! Queres? Sim. Quero-te a ti. Franziu a testa. Queres-me a mim? Sorriu divertido com a expressão dela. Gostaria que fosses minha, mas... ninguém é de ninguém! O olhar dele ensombrou-se. Pois não! Ele estacou, virou-se para ela e olhou-a nos olhos. Ela baixou o olhar e ele com um dedo levantou-lhe o queixo até ficarem de olhos nos olhos novamente. Sorriram. Ele beijou-lhe o cabelo e a testa e, por fim, roçou os lábios húmidos nos dela. Ela entreabriu a boca e mordeu o lábio inferior e lambeu primeiro o lábio superior, depois o inferior. Não faças isso! Fico com uma vontade de te beijar com força, de te morder o lábio, de te lamber... Calou-se, por momentos, observando a cara de espanto dela, a sobrancelha levantada, o sorrisinho meio tímido. A tua boca é tão suave, os teus lábios são únicos, são uma tentação! Posso ficar viciado em ti sabias? 
Abanou a cabeça para fazer dispersar aqueles pensamentos...
Vamos. Sim, tenho de ir. Detesto conduzir à noite. Fica comigo. Olhou-o de olhos esbugalhados. Ficar com ele? Está louco. Não é de bom-tom, logo no primeiro encontro, levar a namorada para casa, pois não? Acho que não. Pois, então tem de ficar para um próximo encontro. Tem. Enfiaram-se no Metro. Hora de ponta. As carruagens apinhadas. Ela encostou-se contra as costas dos assentos, ele ficou de frente para ela, agarrando-se com uma mão ao ferro que passava por cima das costas dos bancos. Com a outra brincava com os cabelos dela, afastando-lhe a franja que teimava em cair-lhe para os olhos, passando-lhe o dedo indicador pelo nariz, fazendo-o descer pelos lábios. Ela sorria e com um dedo, afastava-o, cada vez que o empurravam e ele a espalmava contra as costas dos assentos. Ele fazia um trejeito como que a dizer que não tinha culpa. Ela revirava-lhe os olhos. Saio na próxima paragem. Eu continuo. Despediram-se com um beijo cândido e superficial. Quando chegares envia-me uma mensagem. Ela saiu da carruagem e seguiu sem olhar para trás. Ele viu-a desaparecer na escadaria.
Meteu-se no carro, programou o GPS, ligou o rádio e pôs-se a caminho, tinha cerca de cem quilómetros para percorrer. O telemóvel soou. Adorei passear contigo. Tu és linda. Adorei-te toda. Parece que vivi um sonho. Ela sorriu. Nova mensagem: Diz-me que também gostaste um pouco de mim. Ia completamente absorta, enleada em mil pensamentos... o telefone voltou a ecoar. Nunca mais me vou esquecer do beijo que me deste. E de novo: Adorei o teu beijo. Tão saboroso. Ui, nem me posso lembrar! O sangue disparou a correr-me loucamente pelas veias e... Tu sentiste, tu viste como é que eu fiquei. Meu Deus, não vou olhar mais para o iphone, ainda me estampo. Atirou-o para dentro da mala, mas ouviu-o retinir mais umas quantas vezes.
Entrou na garagem. Pegou no telefone, leu as restantes mensagens e respondeu: Já cheguei, adorei o passeio, adorei que me tivesses amparado, abusaste um bocadinho da sorte, mas eu até gostei. Gostei de te beijar. Ainda bem que encontraste finalmente o BEIJO e que  esse BEIJO é o meu. Vou jantar. Beijinhos. Ainda não tinha largado o telemóvel, quando recebeu a resposta: Bom jantar. Adorei tudo em ti. Dorme bem. Beijinhos. ADORO-TE.

Colocou-me na cama delicadamente, endireitando-me os folhos. Levantou-se, pegou na mala e dirigiu-se à porta. Abriu-a e ali estava ele à sua frente. Acabara de chegar. Ofegava. Tinha corrido a bem correr, receava que ela não esperasse.
- Ias-te embora, mas cheguei a horas de te impedir.
Ela sorriu e recuou. Ele avançou para ela, empurrou a porta e agarrou-a, procurando-lhe a boca avidamente.
- O que eu sonhei com este momento, só queria ter-te de novo nos meus braços, só me lembrava da tua boca colada à minha, da tua língua marota... A mala caiu-lhe aos pés e ela agarrou-lhe os ombros, puxou-o para ela. Enfiou-lhe as mãos nos cabelos. Ele afastou-a para a olhar nos olhos:
- Tens uns olhos tão bonitos, tão grandes.
- São para te ver melhor.
- Tens uma boca linda, saborosa, fresca e quente, os teus lábios, ai os teus lábios... E a tua língua...
Chegou-se a ele, passou-lhe os braços à volta do pescoço e passou-lhe a língua pela boca, desenhando-lha. Lambeu-lhe os lábios, primeiro o inferior, depois o superior... os dois: de baixo para cima, de cima para baixo. Enfiou-lhe a língua na boca entreaberta, tirou-a, enfiou-a... devagar, depressa... Ele tentou prender-lha. 
- Não, não, nem penses! 
Mordiscou-lhe o lábio inferior, chupou-lho, lambeu-lho. Passou para o superior, brincou com a língua no canto esquerdo, no canto direito... Ele, ávido, tentava abocanhar-lhe a boca, a língua, mas ela fugia-lhe, escapava-lhe e continuava a brincar com a boca dela na dele, com a língua, com os dentes.
- Estás a pôr-me doido!
- Pois estou! Não gostas?
- Adoro!
E a brincadeira continuava. Ela fingia que se ia deixar prender pela boca dele e, de repente, esquivava-se, só lhe dando a pontinha da língua, uns beijinhos fugazes, umas lambedelas esquivas, umas mordidinhas fugidias.
- Tu gostas mesmo de brincar!
- Gosto de te beijar. Assim... Humedecia os lábios, encostava-os muito levemente aos dele, pressionava um bocadinho... Gosto de te beijar. Assim... Devagar, com tempo, sem pressa... Devagar, muito devagarinho! Gosto de te saborear, de comer os teus lábios, de os trincar...
Ia falando, com a boca colada na dele, naquele jogo de toca e foge...
- Estou a ficar...
- Estás a ficar?
- Ai, o que tu me fazes, como fico...
Empurrou-a docemente até à cama, meteu-lhe as mãos por baixo do vestido, passou-lhe a mão pelas coxas, a subir, a subir, enfiou-a por dentro das cuecas, enterrou um dedo dentro dela...
- Como tu estás também!
- Como estou? – perguntava boca na boca. Os lábios de ambos húmidos, inchados, sôfregos, insaciáveis...
- Pronta, pronta para mim...
- Ah, sim?...

1 comentário:

  1. Uma narrativa sensual que se lê de um fôlego.
    Gostei...
    Querida amiga, tem um bom domingo e uma boa semana.
    Beijo.

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