Acorda,
acorda...
Ela abriu
os olhos, sorriu esperançosa e virou-se para a porta para a abrir, mas os
passos afastaram-se. Oh, não é ele!
O
telemóvel tiniu. Foi ver. Uma mensagem: Estou preso no trânsito, houve um
acidente qualquer. Não tenho a culpa. Já deves estar à minha espera. Por favor,
não te vás embora. Respondeu-lhe: É melhor ir-me embora! Novo retinir. Não vás,
espera, sonho com este encontro desde o miradouro. Não vás. Espera por mim,
querida!
Pousou o iphone junto da mala e deu mais uma
volta pelo quarto. Olhou-se ao espelho. Sorriu. Passou os dedos pelo cabelo.
Piscou o olho. Sentou-se na cama e pegou em mim. Afagou-me, apertou-me contra o
peito. Ouvi o bater do seu coração. As suas mãos eram delicadas e esguias, os
dedos finos, as unhas perfeitas, longas, ovais, muito bem pintadas num tom de
rosa suave e brilhante.
Ela
sorriu-me como se se estivesse a lembrar de algo:
Vamos.
Ele pegou-lhe na mão e seguiram para a estação do Metro. Agora, o terreno era
direito, desenhado a preto e branco. Queres lanchar? Não, obrigada. Não tenho
fome. Posso oferecer-te um bolinho, ao menos? Não. Estou bem. Um sumo? Sorriu.
Não quero nada, obrigada. Pois eu quero! Queres? Sim. Quero-te a ti. Franziu a
testa. Queres-me a mim? Sorriu divertido com a expressão dela. Gostaria que
fosses minha, mas... ninguém é de ninguém! O olhar dele ensombrou-se. Pois não!
Ele estacou, virou-se para ela e olhou-a nos olhos. Ela baixou o olhar e ele
com um dedo levantou-lhe o queixo até ficarem de olhos nos olhos novamente.
Sorriram. Ele beijou-lhe o cabelo e a testa e, por fim, roçou os lábios húmidos
nos dela. Ela entreabriu a boca e mordeu o lábio inferior e lambeu primeiro o
lábio superior, depois o inferior. Não faças isso! Fico com uma vontade de te
beijar com força, de te morder o lábio, de te lamber... Calou-se, por momentos,
observando a cara de espanto dela, a sobrancelha levantada, o sorrisinho meio
tímido. A tua boca é tão suave, os teus lábios são únicos, são uma tentação!
Posso ficar viciado em ti sabias?
Abanou a cabeça para fazer dispersar aqueles pensamentos...
Abanou a cabeça para fazer dispersar aqueles pensamentos...
Vamos.
Sim, tenho de ir. Detesto conduzir à noite. Fica comigo. Olhou-o de olhos
esbugalhados. Ficar com ele? Está louco. Não é de bom-tom, logo no primeiro
encontro, levar a namorada para casa, pois não? Acho que não. Pois, então tem
de ficar para um próximo encontro. Tem. Enfiaram-se no Metro. Hora de ponta. As
carruagens apinhadas. Ela encostou-se contra as costas dos assentos, ele ficou
de frente para ela, agarrando-se com uma mão ao ferro que passava por cima das
costas dos bancos. Com a outra brincava com os cabelos dela, afastando-lhe a
franja que teimava em cair-lhe para os olhos, passando-lhe o dedo indicador
pelo nariz, fazendo-o descer pelos lábios. Ela sorria e com um dedo, afastava-o, cada vez que o empurravam e ele a espalmava contra as costas dos
assentos. Ele fazia um trejeito como que a dizer que não tinha culpa. Ela
revirava-lhe os olhos. Saio na próxima paragem. Eu continuo. Despediram-se com
um beijo cândido e superficial. Quando chegares envia-me uma mensagem. Ela saiu
da carruagem e seguiu sem olhar para trás. Ele viu-a desaparecer na escadaria.
Meteu-se
no carro, programou o GPS, ligou o rádio e pôs-se a caminho, tinha cerca de cem
quilómetros para percorrer. O telemóvel soou. Adorei passear contigo. Tu és
linda. Adorei-te toda. Parece que vivi um sonho. Ela sorriu. Nova mensagem:
Diz-me que também gostaste um pouco de mim. Ia completamente absorta, enleada
em mil pensamentos... o telefone voltou a ecoar. Nunca mais me vou esquecer do
beijo que me deste. E de novo: Adorei o teu beijo. Tão saboroso. Ui, nem me
posso lembrar! O sangue disparou a correr-me loucamente pelas veias e... Tu
sentiste, tu viste como é que eu fiquei. Meu Deus, não vou olhar mais para o iphone, ainda me estampo. Atirou-o para
dentro da mala, mas ouviu-o retinir mais umas quantas vezes.
Entrou na
garagem. Pegou no telefone, leu as restantes mensagens e respondeu: Já cheguei,
adorei o passeio, adorei que me tivesses amparado, abusaste um bocadinho da
sorte, mas eu até gostei. Gostei de te beijar. Ainda bem que encontraste
finalmente o BEIJO e que esse BEIJO é o
meu. Vou jantar. Beijinhos. Ainda não tinha largado o telemóvel, quando recebeu
a resposta: Bom jantar. Adorei tudo em ti. Dorme bem. Beijinhos. ADORO-TE.
Colocou-me
na cama delicadamente, endireitando-me os folhos. Levantou-se, pegou na mala e dirigiu-se à porta. Abriu-a e ali estava
ele à sua frente. Acabara de chegar. Ofegava. Tinha corrido a bem correr, receava que ela não esperasse.
- Ias-te
embora, mas cheguei a horas de te impedir.
Ela
sorriu e recuou. Ele avançou para ela, empurrou a porta e agarrou-a,
procurando-lhe a boca avidamente.
- O que eu
sonhei com este momento, só queria ter-te de novo nos meus braços, só me
lembrava da tua boca colada à minha, da tua língua marota... A mala caiu-lhe
aos pés e ela agarrou-lhe os ombros, puxou-o para ela. Enfiou-lhe as mãos nos cabelos. Ele afastou-a para a olhar nos olhos:
- Tens uns
olhos tão bonitos, tão grandes.
- São para
te ver melhor.
- Tens uma
boca linda, saborosa, fresca e quente, os teus lábios, ai os teus lábios... E a
tua língua...
Chegou-se
a ele, passou-lhe os braços à volta do pescoço e passou-lhe a língua pela boca,
desenhando-lha. Lambeu-lhe os lábios, primeiro o inferior, depois o superior...
os dois: de baixo para cima, de cima para baixo. Enfiou-lhe a língua na boca
entreaberta, tirou-a, enfiou-a... devagar, depressa... Ele tentou prender-lha.
- Não, não, nem penses!
Mordiscou-lhe o lábio inferior, chupou-lho, lambeu-lho. Passou para o superior, brincou com a língua no canto esquerdo, no canto direito... Ele, ávido, tentava abocanhar-lhe a boca, a língua, mas ela fugia-lhe, escapava-lhe e continuava a brincar com a boca dela na dele, com a língua, com os dentes.
- Não, não, nem penses!
Mordiscou-lhe o lábio inferior, chupou-lho, lambeu-lho. Passou para o superior, brincou com a língua no canto esquerdo, no canto direito... Ele, ávido, tentava abocanhar-lhe a boca, a língua, mas ela fugia-lhe, escapava-lhe e continuava a brincar com a boca dela na dele, com a língua, com os dentes.
- Estás a
pôr-me doido!
- Pois
estou! Não gostas?
- Adoro!
E a
brincadeira continuava. Ela fingia que se ia deixar prender pela boca dele e,
de repente, esquivava-se, só lhe dando a pontinha da língua, uns beijinhos
fugazes, umas lambedelas esquivas, umas mordidinhas fugidias.
- Tu gostas
mesmo de brincar!
- Gosto de
te beijar. Assim... Humedecia os lábios, encostava-os muito levemente aos dele,
pressionava um bocadinho... Gosto de te beijar. Assim... Devagar, com tempo,
sem pressa... Devagar, muito devagarinho! Gosto de te saborear, de comer os
teus lábios, de os trincar...
Ia
falando, com a boca colada na dele, naquele jogo de toca e foge...
- Estou a
ficar...
- Estás a
ficar?
- Ai, o que
tu me fazes, como fico...
Empurrou-a
docemente até à cama, meteu-lhe as mãos por baixo do vestido, passou-lhe a mão
pelas coxas, a subir, a subir, enfiou-a por dentro das cuecas, enterrou um dedo
dentro dela...
- Como tu
estás também!
- Como
estou? – perguntava boca na boca. Os lábios de ambos húmidos, inchados,
sôfregos, insaciáveis...
- Pronta,
pronta para mim...
- Ah,
sim?...

Uma narrativa sensual que se lê de um fôlego.
ResponderEliminarGostei...
Querida amiga, tem um bom domingo e uma boa semana.
Beijo.