domingo, 9 de junho de 2013

Uma viagem de sentires, sabores e cheiros



A noite descia silenciosamente com um véu negro, enfeitado de pintas prateadas faiscantes.
Bateram suavemente à porta. Levantaram-se, envolveram-se nos roupões felpudos e saíram para o terraço, enquanto a empregada preparava o que lhe havia sido pedido: dispôs as rosas vermelhas na jarra, pousou a bandeja com frutas em cima da cama, acendeu velinhas minúsculas que tremeluziam, mil estrelas a rodear o leito quente...
A paisagem campestre ia-se diluindo na escuridão até, lá ao longe, se abrir num clarão de milhares de sóis que iluminavam tudo e onde pulsava a vida ainda. Ali, era o cantar da água nas fontes, os hinos entoados pelos grilos e as muitas luzinhas insignificantes dos pirilampos que voltejavam nos arbustos que se estendiam ao longo dos caminhos, por entre canteiros floridos e perfumados.
Chegava-lhes agora, lá de dentro, uma melodia romântica e o tilintar dos copos de cristal... E o perfume da comida recém confeccionada.
A rapariguita saiu, batendo delicadamente a porta.
Ele pegou na sua deusa encantada ao colo, o quimono  descaiu e deixou-lhe um seio alvo à espreita, tombou e chupou-lho. Ela atirou-lhe os braços ao pescoço, pressionando-lhe a cabeça contra o fruto delicioso que ele mordia e lambia.
Os robes tombaram-lhes aos pés. Sentaram-se de pernas cruzadas sobre a cama e fizeram um piquenique de sentires, sabores e  cheiros. Começaram pelas ostras com limão e ervas aromáticas... Lambuzavam-se e comiam-se e lambiam-se... Ele pegou no limão e espremeu-o entre os seios da companheira que estremeceu. Sugou o sumo, sorveu-lhe os mamilos duros...
Meio saciados, afastaram a taça de fruta, as tacinhas com doces e docinhos e, chegaram-se um ao outro, sentados de frente, ela com as pernas flectidas sobre as dele, apertando-o com os joelhos... E foi entre beijos saborosos que comeram morangos, framboesas, mirtilos, groselhas, que se barraram de doce e de chocolate... e que bebericaram champanhe.
Ele sussurrou-lhe algo ao ouvido, ergueu-se e procurou entre os almofadões, por baixo de mim, sorrindo cúmplice. Na sua mão surgiu um frasco lindíssimo, de vidro lavrado... Empurrou-a suavemente, beijando-lhe os lábios, o pescoço. Tirou a tampa do frasco e esfregou as mãos com o óleo de rosas, alecrim e flor de laranjeira. O perfume suave inundou o quarto.
      - Vou fazer-te uma massagem – anunciou-lhe.
Ela sorriu. Como era lindo aquele sorriso! Um sorriso que continha uma quantidade de promessas!
      -   Vira-te, vou começar pelas costas...
Afastou-lhe os cabelos e começou a acariciar-lhe os ombros e a espalhar-lhe brandamente o óleo pela pele acetinada, pressionando ora com os dedos, ora com as palmas das mãos...    Percorreu-lhe todo o corpo um pouco atabalhoadamente, não era massagista, tinha pressa, o sangue começava a ferver-lhe nas veias: era a pele de veludo, eram as curvas, os montes e vales; era o perfume inebriante; era a luz lânguida e reveladora que sombreava e iluminava; era o cheiro  dela...
      -  Estás a gostar? – perguntou roucamente.
Ela levantou-se num ápice, atirou-o para a cama, pegou no óleo, sentou-se sobre ele.
      -  Como queres? – perguntou.
      -  De frente, enterrado em ti, é assim que quero a minha massagem.
Ela riu, atirando a cabeça e o cabelo para trás.
Joelhou-se e tombou sobre o corpo dele, beijou-o, lambeu-lhe e mordeu-lhe os lábios. Derramou sobre as mãos o óleo cheiroso, friccionou-as e, agora, com elas bem quentes e macias massajou-lhe os ombros, o peito, a cintura... curvava-se e roçava-lhe as mamas no corpo até lhas dar de comer. Ele crescia perto das suas coxas, endireitava-se a pulsar, batendo-lhe no ventre. Ela elevou-se, sentou-se sobre ele, soterrando-o todo, morosamente.
      -  Tão quentinho, estás a ferver – disse ele, gemendo baixinho. - Tu és tão quentinha!
Cavalgou-o. Saíram por campos e vales e iam depressa sempre a subir até alcançarem o cume da montanha e, de repente,  estacaram, lá no cimo,  para abarcarem com o olhar toda a beleza circundante. Depois, vagarosamente desciam, saboreando aquela doce viagem...
      - Tu pões-me doido, eu adoro-te...
      - Espera, vou desmontar...
      - Não, deixa-te estar, assim... quietinha... não te mexas... está tão quente, tão duro...
      - Está tão bom! Mas... vai ficar melhor ainda...
Olhou-a inquiridor. E o rosto dela inundava-se de um riso cristalino...
      - Vou virar-me de costas para ti...
      - Oh, vira-te, mas não me deixes sair...
      - Vou  tentar não te tirar de dentro de mim...
      -  Roda devagarinho. Eu seguro-te!
      - Oh não! Escapou, desculpa!
Voltou a sentar-se sobre o membro erecto, as pernas ao longo do dorso dele, meio sentada, meio joelhada. Ele agarrou-lhe na cintura e puxou-a para baixo com força e a viagem seguiu húmida, quente, descente, crescente...
      -  Quero ficar dentro de ti para sempre! Vou amar-te o resto da minha vida.
     - Ama-me agora, hoje, como se não houvesse amanhã, é agora que eu te quero! Depois... logo se vê...
E ela descia e subia e ele via aquele corpo de guitarra (ou seria de viola?), baixar e elevar-se sobre si.
      - Como é que te queres vir?
      -  Contigo – disse ela.
Riram ambos. Ele adorava vê-la rir, mas o seu sorriso era o mais encantador, iluminava-lhe o rosto, os olhos, tudo era luz...
      -  Vou apear-me, chegámos... Quero por trás, mas um bocadinho só e não te venhas...
      -  Queres matar-me de desejo, já estou...
      -   Vá.
Ela ficou de quatro e ele resvalava docemente, enquanto a atravessava com a sua lança em riste. Gemeu, endireitou-se, agarrou-lhe as nádegas firmes e puxou-a, com força para si, gemendo baixinho. Ela aprisionava-lhe a haste, apertando-a e ele sentia a pressão:
      - Ai, está tão apertadinho, tão bom. Que grutinha saborosa!
     Ela afastou-se um pouco, deixando-o à entrada para, logo a seguir, o fazer entrar com  todo o vigor... E era um vaivém doce, bruto, terno, selvagem... com pausas gemidas e trémulas...
    - Não me vou aguentar muito mais, querida! Estou todo lambuzado... Sentes-me a palpitar dentro de ti. Como pulsa!
Ela esticou as pernas, fê-lo sair de dentro dela e virou-se. Ergueu as pernas, envolveu-lhe a anca, apertando-o entre as suas pernas  e fê-lo entrar de novo dentro dela.  
 - Vamos chegar os dois ao mesmo tempo ao fim desta viagem. Queres?
       -  Sim – disse-lhe com a sua boca na dela, chupando-lhe a língua, mordendo-lhe os lábios suculentos...
A língua dela passeava-se pela sua boca, sugando-a, lambendo-a freneticamente, devorando-a.
      -  Os teus beijos... a tua boca... Ninguém beija como tu...
E ia e vinha entre os braços e as pernas dela, prisioneiro por vontade. Pararam, olharam-se nos olhos.
      - A tua cara de fazer amor... Linda, tu és tão linda! Os teus olhos ficam tão vivos, tão bonitos, mais bonitos...
Ela calou-o com um beijo. Fecharam os olhos e o baloiçar calmo agitou-se, ganhou velocidade, cresceu...
     - Vou... vou...
     - Ó meu amor, vou inundar-te...
E os gritos brotaram estrangulados pelas bocas completamente coladas. Os corpos de ambos ondulavam ainda brandamente. Ele olhava-a, esperou que ela abrisse os olhos...
     - Tu és única e eu amo-te tanto. Por favor, não saias nunca da minha vida.
Beijou-a, tombou para o lado e abraçou-a com força.
     -  Tu moras dentro de mim, põe a tua cabeça no meu peito, ouve o meu coração como bate. Adoro-tu do em ti!
      Logo, logo, aquele fim-de-semana terminaria e começaria a labuta incessante, os miúdos pendurados nas pernas esguias e bem torneadas da sua deusa grega. Tinha saudades dos garotos: da sua princesa e do malandreco... Mas, conseguiram passar aquele pouco tempo sem falarem de casa, de crianças, de fraldas... Foi um tempo só deles, foi uma lua-de-mel egoísta como todas as luas-de-mel... Não havia ali espaço nem tempo para mais nada, só para o amor... Quando transpusessem aquela porta, entrariam de novo no seu mundo povoado de mil aborrecimentos, de ternura, de choros, de sorrisos, de birras, de pequenas alegrias... E os ponteiros do relógio começavam já a girar, num rodopio, correriam ... até... ao dia... em que... fugiriam de novo para os braços um do outro... tendo só a companhia do amor... Nesse dia, o relógio pararia mais uma vez... e pararia sempre que o amor quisesse...
     



1 comentário:

  1. Uma lua de mel bem narrada.
    Com imensos sabores, cheiros e sentires.
    Gostei.
    Minha querida amiga, tem um bom domingo e uma boa semana.
    Beijo.

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