O sol baixava velozmente e os seus
raios acobreados irrompiam por entre as frestas do cortinado e acariciavam-me
os folhos e as nervuras, aqueciam-me e deixavam-me sonolenta, indolente.
A porta abriu-se devagar e vi-a
surgir naquela luz difusa, como se estivesse num desfile de moda. Era morena,
olhos grandes e esverdeados, cabelos negros compridos e revoltos. Vestia um
vestido preto, justo, um pouco acima do joelho, que lhe fazia sobressair a
curvatura das ancas e a cintura fina. O decote generoso era debruado com leves
folhos vaporosos, no pescoço de garça brilhava um precioso colar de pérolas e
para a toilette ficar completa, umas
sandálias de verniz, de salto alto, fino, com um laço no tornozelo...
Mal fechou a porta, bateram. Quem seria? Não esperava ninguém.
Aquele fim de tarde e noite eram dela, só dela.
Abriu. Era um cavalheiro
elegantemente vestido e com um charme invulgar.
- Seguiu-me? – perguntou.
- Não. Respondi simplesmente ao teu
chamamento! – disse delicadamente.
- Ao meu chamamento? Deve haver um
engano qualquer. Eu não o chamei, eu não o conheço.
- O teu olhar pediu-me que viesse.
- O meu olhar?
- Sim, o teu olhar. Passaste duas
vezes, lá em baixo, por mim e o teu olhar disse tudo, tens uns olhos bem
descarados... Os teus olhos prenderam-se nos meus e arrastaram-me. Ainda tentei
recusar, dizer não. Mas, à segunda investida, não resisti.
- O meu olhar arrastou-o e, na segunda
investida, não resistiu! Muito bem, pelo menos tem imaginação!
- Trata-me como se tratam os nossos
olhos, por tu. A verdade é que não resisti à tua beleza... – disse, pousando as
bebidas e o gelo.
- Não resististe à minha beleza ou aos
meus olhos descarados? – perguntou sorrindo.
A gentileza e o charme dele
agradavam-lhe, agradavam-lhe mesmo muito! Sentiu um arrepio.
- Posso apenas sentir a suavidade da
tua pele? – perguntou, um pouco perturbado pela proximidade, pelo perfume doce,
pela luz diáfana, pelo desejo…
Desejou-a logo que a viu. Ficou
louco com aquele olhar, aqueles olhos. Sim. Não resistiu e seguiu-a. E agora?
Será que soube ler no verdor daqueles olhos, igual desejo, igual vontade?
- Apenas a minha face.
Ele roçou a mão pelo rosto bonito e
ela, não resistindo, tocou-lhe com os lábios nos dedos esguios.
Empurrou-o docemente e sentou-o
na senhorinha, ao lado da cama, tirou-lhe a gravata de seda e vendou-lhe os olhos. Ele permanecia
quieto, à espera. Desabotoou-lhe a camisa, subiu o vestido e sentou-se nas
pernas dele, colocando-lhe os seios envolvidos nos folhos na cara... depois, varreu-lhe o tronco todo com os cabelos sedosos, brilhantes e
perfumados.
Estava a gostar da desenvoltura
dela, do desembaraço, do atrevimento... Não esperava.
Ela levantou-se e encaminhou-o para o
leito, continuava vendado, à sua mercê. Empurrou-o e, num ápice, tirou-lhe as
calças. Deitou-se sobre ele e mordeu-lhe as orelhas, lambeu-lhe o pescoço e
começou a beijá-lo desde a boca até ao umbigo. Virou-se, ficou de joelhos, as
pernas ao longo do corpo dele, o vestido arregaçado.
Passou-lhe com as unhas suavemente,
desde os pés até às coxas, lambeu e chupou-lhe os testículos. Ele contorcia-se
e gemia de prazer. Abocanhou-lhe o mastro até provocar um vómito a si mesma...
Ele, completamente fora de si, içou-se,
arrancou-lhe o vestido e o colar de pérolas geladas e passou-lhas vagarosamente
por todo o corpo. Retirou-lhe a lingerie.
Com a mão, procurou-lhe a boca e beijou-a, mordiscou-lhe os mamilos e continuou
descendo...
- Deixas-me louco! - segredou-lhe…
O teu sexo cheira a jasmim. - disse, lambendo-lhe os lábios suculentos,
polposos…
Desenvencilhou-se da venda e fez
rolar as pérolas sobre o ventre liso e brilhante dela, brincou no seu umbigo e
fez deslizar o colar, pelo clítoris, introduzindo-o, depois, muito suavemente,
pérola a pérola, naquela gruta de prazer que ardia de desejo.
- Estão frias! – exclamou ela.
E acariciava os seios, enquanto ele
retirava o colar lentamente, conta a conta. Ela arrepiava-se e gemia.
Colocou o colar no balde de gelo. Voltou-a,
pegou numa pedrinha gelada e brilhante e passou-lha por todo corpo.
- Estás a arder e incendeias-me... – disse,
enquanto lhe ia passando o gelo por
aquele corpo aceso, completamente inflamado…
Seguidamente, envolveu-lhe, com as
suas mãos, aquela cintura fina e, firmemente, agarrou-a e empinou-lhe o rabo,
passando-lhe muito suave e demoradamente com a língua quente e húmida, pelo
orifício anal, enquanto ela beliscava os bicos das mamas fartas… Ele
continuava a lamber-lhe aquele apetitoso botãozinho de rosa, deixando, por
vezes, a língua esgueirar-se para a gruta suculenta e palpitante, desejosa,
ansiosa...
- Espera! – disse ela, empurrando-o.
Ele ficou deitado de costas, com um
ar indagador. Que foi agora? Parecia perguntar.
Ela retirou o colar gelado do balde e,
rindo, pediu:
- Fecha os olhos.
Enrolou o colar no membro inchado e
luzidio do companheiro e apertou a mola. Estava justíssimo. Era mesmo assim que
o queria. E... com uma mão começou a deslizar para baixo e para cima as pérolas
apertadas. Ele gemia.
- És danada! Que fazes? Pões-me doido
assim.
Ela ria e continuava.
Ele ergueu-se e agarrou-a pelos
cabelos, prostrou-a, e apontou-lhe a cabeça inchada e luzidia do seu sexo,
penetrando-a suavemente, sem tirar o colar.
Ela fê-lo sair de dentro dela e fez
deslizar as pérolas, devagar, tirando o
colar.
- Que sensação! Nunca senti nada
assim! – gemia excitado.
Entrou de novo dentro dela.. e... ora
com movimentos suaves e lentos de carinho... ora com outros… mais rápidos e
violentos, como se fosse um garanhão, continuou aquele vaivém louco até ela gritar
de prazer.
Ela ia ficando, a cada movimento, mais louca e sôfrega...
Com um movimento rápido, sentou-se
por cima dele e cavalgou-o como uma amazona experimentada. Ele era o seu potro
selvagem e era preciso domá-lo… Ele levou-lhe os dedos à boca, palpou-lhe os
lábios inchados e ela chupou-lhos sofregamente, enquanto apertava, com uma mão,
os seios, deixando os mamilos bem erectos e acariciava, com a outra, o clitoris, freneticamente, aumentado mais e mais o prazer até não aguentarem mais e
explodirem ambos, gemendo e tremendo de deleite...
Era a primeira vez que via naquele
quarto dois perfeitos desconhecidos... Aquilo era sexo, não era fazer amor...
Quando acabou aquela luta desenfreada, tomaram banho, vestiram-se
silenciosamente e saíram, um de cada vez, sem um carinho, sem uma palavra...

A descrição é muito boa, diria profissional, em termos literários.
ResponderEliminarTem um bom fim de semana.