sábado, 6 de julho de 2013

Um olhar descarado



O sol baixava velozmente e os seus raios acobreados irrompiam por entre as frestas do cortinado e acariciavam-me os folhos e as nervuras, aqueciam-me e deixavam-me sonolenta, indolente.
A porta abriu-se devagar e vi-a surgir naquela luz difusa, como se estivesse num desfile de moda. Era morena, olhos grandes e esverdeados, cabelos negros compridos e revoltos. Vestia um vestido preto, justo, um pouco acima do joelho, que lhe fazia sobressair a curvatura das ancas e a cintura fina. O decote generoso era debruado com leves folhos vaporosos, no pescoço de garça brilhava um precioso colar de pérolas e para a toilette ficar completa, umas sandálias de verniz, de salto alto, fino, com um laço no tornozelo...
Mal fechou a porta,  bateram. Quem seria? Não esperava ninguém. Aquele fim de tarde e noite eram dela, só dela.
Abriu. Era um cavalheiro elegantemente vestido e com um charme invulgar.
- Seguiu-me? – perguntou.
- Não. Respondi simplesmente ao teu chamamento! – disse delicadamente.
- Ao meu chamamento? Deve haver um engano qualquer. Eu não o chamei, eu não o conheço.
- O teu olhar pediu-me que viesse.
- O meu olhar?
- Sim, o teu olhar. Passaste duas vezes, lá em baixo, por mim e o teu olhar disse tudo, tens uns olhos bem descarados... Os teus olhos prenderam-se nos meus e arrastaram-me. Ainda tentei recusar, dizer não. Mas, à segunda investida, não resisti.
- O meu olhar arrastou-o e, na segunda investida, não resistiu! Muito bem, pelo menos tem imaginação!
- Trata-me como se tratam os nossos olhos, por tu. A verdade é que não resisti à tua beleza... – disse, pousando as bebidas e o gelo.
- Não resististe à minha beleza ou aos meus olhos descarados? – perguntou sorrindo.
A gentileza e o charme dele agradavam-lhe, agradavam-lhe mesmo muito! Sentiu um arrepio.
- Posso apenas sentir a suavidade da tua pele? – perguntou, um pouco perturbado pela proximidade, pelo perfume doce, pela luz diáfana, pelo desejo…
Desejou-a logo que a viu. Ficou louco com aquele olhar, aqueles olhos. Sim. Não resistiu e seguiu-a. E agora? Será que soube ler no verdor daqueles olhos, igual desejo, igual vontade?
- Apenas a minha face.
Ele roçou a mão pelo rosto bonito e ela, não resistindo, tocou-lhe com os lábios nos dedos esguios.
Empurrou-o docemente e sentou-o na senhorinha, ao lado da cama, tirou-lhe a gravata de seda e vendou-lhe os olhos. Ele permanecia quieto, à espera. Desabotoou-lhe a camisa, subiu o vestido e sentou-se nas pernas dele, colocando-lhe os seios envolvidos nos folhos na cara... depois, varreu-lhe o tronco todo com os cabelos sedosos, brilhantes e perfumados.
Estava a gostar da desenvoltura dela, do desembaraço, do atrevimento... Não esperava. 
Ela levantou-se e encaminhou-o para o leito, continuava vendado, à sua mercê. Empurrou-o e, num ápice, tirou-lhe as calças. Deitou-se sobre ele e mordeu-lhe as orelhas, lambeu-lhe o pescoço e começou a beijá-lo desde a boca até ao umbigo. Virou-se, ficou de joelhos, as pernas ao longo do corpo dele, o vestido arregaçado.
Passou-lhe com as unhas suavemente, desde os pés até às coxas, lambeu e chupou-lhe os testículos. Ele contorcia-se e gemia de prazer. Abocanhou-lhe o mastro até provocar um vómito a si mesma...
Ele, completamente fora de si, içou-se, arrancou-lhe o vestido e o colar de pérolas geladas e passou-lhas vagarosamente por todo o corpo. Retirou-lhe a lingerie. Com a mão, procurou-lhe a boca e beijou-a, mordiscou-lhe os mamilos e continuou descendo...
- Deixas-me louco! - segredou-lhe… O teu sexo cheira a jasmim. - disse, lambendo-lhe os lábios suculentos, polposos…
Desenvencilhou-se da venda e fez rolar as pérolas sobre o ventre liso e brilhante dela, brincou no seu umbigo e fez deslizar o colar, pelo clítoris, introduzindo-o, depois, muito suavemente, pérola a pérola, naquela gruta de prazer que ardia de desejo.
- Estão frias! – exclamou ela.
E acariciava os seios, enquanto ele retirava o colar lentamente, conta a conta. Ela arrepiava-se e gemia.
Colocou o colar no balde de gelo. Voltou-a, pegou numa pedrinha gelada e brilhante e passou-lha por todo corpo.
- Estás a arder e incendeias-me... – disse,  enquanto lhe ia passando o gelo por aquele corpo aceso, completamente inflamado…
Seguidamente, envolveu-lhe, com as suas mãos, aquela cintura fina e, firmemente, agarrou-a e empinou-lhe o rabo, passando-lhe muito suave e demoradamente com a língua quente e húmida, pelo orifício anal, enquanto ela beliscava os bicos das mamas fartas… Ele continuava a lamber-lhe aquele apetitoso botãozinho de rosa, deixando, por vezes, a língua esgueirar-se para a gruta suculenta e palpitante, desejosa, ansiosa...
- Espera! – disse ela, empurrando-o.
Ele ficou deitado de costas, com um ar indagador. Que foi agora? Parecia perguntar.
Ela retirou o colar gelado do balde e, rindo, pediu:
- Fecha os olhos.
Enrolou o colar no membro inchado e luzidio do companheiro e apertou a mola. Estava justíssimo. Era mesmo assim que o queria. E... com uma mão começou a deslizar para baixo e para cima as pérolas apertadas. Ele gemia.
- És danada! Que fazes? Pões-me doido assim.
Ela ria e continuava.
Ele ergueu-se e agarrou-a pelos cabelos, prostrou-a, e apontou-lhe a cabeça inchada e luzidia do seu sexo, penetrando-a suavemente, sem tirar o colar.
Ela fê-lo sair de dentro dela e fez deslizar as pérolas, devagar,  tirando o colar.
- Que sensação! Nunca senti nada assim! – gemia excitado.
Entrou de novo dentro dela.. e... ora com movimentos suaves e lentos de carinho... ora com outros… mais rápidos e violentos, como se fosse um garanhão, continuou aquele vaivém louco até ela gritar de  prazer.
Ela ia ficando, a cada movimento, mais louca e sôfrega...
Com um movimento rápido, sentou-se por cima dele e cavalgou-o como uma amazona experimentada. Ele era o seu potro selvagem e era preciso domá-lo… Ele levou-lhe os dedos à boca, palpou-lhe os lábios inchados e ela chupou-lhos sofregamente, enquanto apertava, com uma mão, os seios, deixando os mamilos bem erectos e acariciava, com a outra, o clitoris, freneticamente, aumentado mais e mais o prazer até não aguentarem mais e explodirem ambos, gemendo e tremendo de deleite...
Era a primeira vez que via naquele quarto dois perfeitos desconhecidos... Aquilo era sexo, não era fazer amor... Quando acabou aquela luta desenfreada, tomaram banho, vestiram-se silenciosamente e saíram, um de cada vez, sem um carinho, sem uma palavra...

 






1 comentário:

  1. A descrição é muito boa, diria profissional, em termos literários.
    Tem um bom fim de semana.

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