segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Na piscina




Depois de colocada em água morna com um detergente suave e bem perfumado, deixaram-me ali recostada no meu banho de espuma, no meu banho de beleza... Passados uns minutos, já dormitava acariciada por aquela escuma aromática e acetinada, senti as mãos sensíveis da ruivinha tocarem-me levemente. Com toda a ternura, fui lavada, enxaguada, passada por mil águas e colocada a secar ao ar livre sobre uma esteira de rede. Olhei em redor, a vista era esplêndida: ao fundo, lá longe, a serrania que subia até ao céu onde a luz do sol se espreguiçava, estendendo os seus longos raios  pelas grandes montanhas cobertas de um arvoredo cerrado, matizado com as mais variadas tonalidades de verde, com algumas clareiras desprovidas de qualquer vegetação, onde revoavam densas nuvens de pó, concebidas por máquinas e homens que esventravam a terra para lhe furtar grandes blocos de pedras brancas; do lado esquerdo, as piscinas do hotel, os jardins ornados das mais belas e aromosas flores; do outro lado, o lago, rodeado de árvores frondosas: umas erguiam os seus braços para o céu numa sentida prece, outras atiravam-nos para a água esverdeada do lago, pontilhada por grandes nenúfares,  onde saltavam peixinhos prateados e nadavam cisnes brancos lindíssimos; à minha frente, uns metros mais adiante, a piscina privativa do quarto onde moro.  E ali fiquei, sonolenta, imóvel, a apanhar sol e a aspirar os mais exóticos aromas das várias plantas, arbustos e flores que a leve brisa fazia chegar até mim, e a desfrutar da bela paisagem que me circundava.
O dia estava agradável, o sol brilhava. No céu azul apenas viajavam uns fiapos brancos como a neve, dispersos, flocos de algodão doce que se iam desfazendo...
Havia um jovem casal na piscina: ela de biquíni vermelho, ele de calção preto com riscas coloridas. Ela era alta, esguia, de porte atlético, muito bem delineada e bronzeada. Ele, forte e musculado, tinha uma pele amorenada onde faiscavam centenas de gotículas de água. Têm ar de desportistas, pensei.
O sol ia descendo, decaindo, brevemente pôr-se-ia!
Veio a ruivinha a trautear uma canção da moda.  Apanhou-me, transportou-me numa cestinha para casa, passou-me a ferro, perfumou-me e levou-me abraçada para o meu quarto. Ia depor-me sobre a colcha, quando ao passar os seus dedos finos pelos meus folhinhos e rendinhas se apercebeu que ainda estavam húmidos. Abriu as portadas que dão para a varanda e recostou-me no banco de jardim sobre uma écharpe cor-de-rosa que ali tinha sido deixada,  com certeza, pela atleta que nadava ali em baixo na piscina de águas claras e cintilantes.
Começava a escurecer, o sol para se despedir oferecia agora um imponente espectáculo, ruborizou-se e tingiu todo o céu à sua volta com as mais lindas cores da sua paleta: tonalidades acobreadas, vários tons de laranja e grandes pinceladas de vermelho.
O casalinho aproveitava as águas cristalinas da piscina para mais umas braçadas. Era quase hora de jantar. Olharam um para o outo, iam ficar por ali!
A um sinal, o empregado aproximou-se. O jovem fez-lhe um pedido. A rapariga estendeu a toalha na relva e deitou-se. O namorado sentou-se ao seu lado, debruçou-se sobre ela e beijou-a. Ela riu e abraçou-o, fazendo-o tombar sobre si. Os seus corpos húmidos e escorregadios brilhavam. Roçavam-se um no outro e beijavam-se. Ele, a rir, puxou-lhe as fitinhas do biquíni, olhou-a nos olhos e soltou um - oh, que desajeitado sou! Ela sorriu. Ele mordiscou-lhe e lambeu-lhe uma orelha, descendo rapidamente até aos montículos descobertos e erectos. Chupou-lhe os mamilos, enquanto a sua mão lhe acariciava o ventre liso e macio, escapando-se, de repente, para os lados, desenlaçando as fitas do reduzido calção. Que malvado!, dizia ela, alcançando-lhe com a boca a orelha e mordendo-lha com força. 
Entretanto, surgiu o empregado com o seu uniforme branco. Era louro, alto e magro, os olhos cor de mel. Dispôs tudo à beira da piscina como lhe tinha sido pedido e tentou comportar-se o mais naturalmente possível, como se nada de insólito se estivesse a passar, mesmo ali, à sua frente.
- Aqui está o que solicitaram. Desejam algo mais?
- Sim desejamos - responderam os dois, em simultâneo.
- Junta-te a nós – disse a rapariga, um pouco corada.
Olhou em redor, sem saber muito bem o que responder, o que fazer. Olhou para o corpo da ninfa esbelta completamente desnudado e não resistiu. Pegou nas deliciosas frutas cobertas de chantilly e resolveu vestir a rapariga, cobrindo-lhe as partes íntimas com uma mistura  colorida, perfumada e deliciosa. Não se atreveu a despir-se, mas sentia que algo lhe ia crescendo interiormente, no peito e dentro do uniforme branco. O namorado sorriu-lhe e convidou-o para o banquete. Os frutos deliciosos desafiavam-no. Começou, então,  a servir-se dos mirtilos e das groselhas que escorregavam dos seios da rapariga, enquanto o outro se aprazia com as framboesas e os morangos que formavam um triângulo abaixo do umbigo da namorada. Ela correu o fecho das calças do funcionário e acariciou-lhe o membro que pulou para fora dos boxers. Este gesto, fê-lo sentir-se mais à vontade. Apanhou um pequeno cacho de groselhas com os dentes e levou-o à boca da rapariga. Os seus lábios estremeceram ao toque. Os lábios dela pareciam de cetim, escorregavam.
O seu amado lambuzava-se com a abundante refeição e entre mordidelas e lambidelas comia os frutos gulosos do triângulo do amor. Ela empurrou a cabeça do empregado contra o seu peito e ele lambeu-lhe os seios até lhe encontrar a pele branca que contrastava com o resto do corpo bronzeado, apertou-lhe os botõezinhos entre os dentes e chupou-lhos à vez. Ela continuava entretida massajando com delicadeza a haste firme...
- Beija-me - pediu ela ao seu amado.
E enquanto o namorado subiu à procura da boca querida, o empregado resolveu embrenhar-se e explorar a gruta humente e cálida, lambendo-a, enquanto lhe untava o rabinho com chantilly. Ela começou a torcer-se de deleite. Nunca tinha sentido nada assim!
Completamente despida de pudor, totalmente desinibida, já um pouco fora de si, abocanhou o mastro teso do namorado, enquanto afagava  o do empregado, trocando de vez em quando, deliciando-se e deleitando os dois rapazes ao mesmo tempo.
Eles contorciam-se e gemiam de prazer.
Seguidamente, afastou-os e disse, levemente enrubescida:
- Quero sentir-vos aos dois dentro de mim!
Eles entreolharam-se, hesitantes. O rapaz louro olhou-a inquiridor, vacilante, depois voltou a dirigir o seu olhar para o namorado que assentiu:
- Senhora minha, a nossa missão é dar-lhe prazer, pedi, nós somos seus escravos! – exclamou, piscando o olho ao outro.
Levantaram-se, desproviram o empregado da sua farda branca. Ela acariciava-lhe a pele mansamente e ele ia-se descontraindo mais e mais.
Dirigiram-se à piscina. O empregado sentou-se no degrau e ela, ao seu colo. Ele entrou dentro dela…
- Espera! Deita-te fora da piscina e coloca os pés no primeiro degrau. Eu ponho-me por cima de ti!
O sol tinha desaparecido completamente, mas o céu, lá longe continuava ruborescido. O sol e eu! Por momentos, perdi-me no horizonte avermelhado, quis escutar o silêncio, mas só me chegavam gemidos... Dei comigo a cogitar, a pensar, na relação daquele casal! Não conseguia perceber como é que um amante partilhava assim a sua amada com outro homem... Mais, não entendia como é que ela se sujeitava àquilo... Unicamente por prazer! Por mais que desse voltas à cabeça não encontrava qualquer resposta plausível para aquele comportamento. Na minha estada naquele quarto de hotel já tinha presenciado algumas situações algo estranhas, como o caso daquele par completamente desconhecido que procurava somente uma aventura. Os outros casais que apareceram amavam-se, procuravam um refúgio para se amarem... Enfim! Não vale a pena estar aqui a tentar compreender os seres humanos e as suas taras...
Acordei destas minhas evocações, olhei para baixo, a piscina estava iluminada, a água brilhava ondulante e borbulhava em tons de azul claro.
E eles lá estavam, na posição em que os deixara: o empregado deitado, com o membro completamente enterrado na rapariga, agarrando-lhe com força as nádegas. Ela, com as pernas flectidas por fora das dele, ia e vinha  e o namorado penetrava-a por trás,  no orifício rosa ainda lambuzado com chantilly.
- Que rabinho bom!
Os três gemiam… Um deles alcançou a taça de chocolate com a mão e enfiou-lhe os dedos na boca para ela chupar.
Aquele balanço dos três corpos tornava-se mais e mais acelerado. Ela gritou, abanou a cabeça para um lado e para o outro, num descontrolo total, tinha atingido o orgasmo…
Dirigiram-se para uma espreguiçadeira e ela deitou-se, o namorado acariciava o pénis erecto e lustroso, ali em pé junto dela. Com um gemido explodiu, deixando o sémen cair sobre o rosto da rapariga, que fechou instintivamente os olhos. O companheiro brincava também com o seu brinquedo do amor e, de repente, com um estremeção lançou o seu esperma, deixando-o escorrer por cima do monte de Vénus da ninfa atlética. Saciados, mas não satisfeitos ainda, abriram a garrafa de champanhe, bebericaram um ou dois tragos cada um, derramando o resto sobre aquele corpinho delicioso da deusa do amor. E foi daquela taça humana que o tomaram, chupando-a e lambendo-a toda desde a cabeça até aos bonitos pés, detendo-se, demorando mais tempo, nos seios, nos mamilos cor-de-rosa, na vulva e no ânus, fazendo com que a rapariga se viesse a segunda vez…
O empregado mergulhou, seguidamente, nas águas azuis, deu duas ou três braçadas, saiu, limpou-se a uma das toalhas que estavam na relva, vestiu-se em silêncio e desapareceu...
Senti passos. Olhei em redor. A ruivinha veio recolher-me. Delicadamente aconchegou-me entre os almofadões, sobre o peito do meu belo e doce travesseiro... Adormeci.

sábado, 17 de agosto de 2013

Na lavandaria



Aquela empregada desastrada acabou de entrar! Nunca vos falei dela! Só disse que era desajeitada, acho que foi este o termo que utilizei para me referir a ela! É ruiva, de grandes olhos azuis, traz o cabelo sempre apanhado, num rabo de cavalo farto e luzidio. Hoje não veio com o fim de arrumar o quarto, mudar a roupa à cama... essas coisas!
A verdade é que chegou e agarrou-me logo e foi como se me visse pela primeira vez, não me atirou para cima de coisa nenhuma, como era seu costume, sem me olhar sequer... Desta vez, observou-me longamente, passou os dedos pelo monograma bordado, pelas minhas nervurinhas e até me alisou os folhos com uma certa ternura... Sorriu e exclamou qualquer coisa como... és bem bonita, almofadinha!
Aconchegou-me contra o peito e saímos juntas do quarto.
Logo me apercebi do meu destino! Entrámos na lavandaria. Senti-me receosa ao ver aquela maquinaria toda e os vários amontoados de roupa no chão, divididos por cores em frente às grandes máquinas de lavar. Ainda nos braços da agora doce empregada, pensei, olhando em redor, e vendo um montículo de roupa branca, que era para ali que ela me ia atirar para, logo a seguir, me enfiarem para dentro daquele tambor enorme com todo o tipo de roupa: lençóis, almofadas, cobertas, toalhas, toalhitas e toalhões, impregnados com os mais variados odores e manchados de nódoas diversas... Enganei-me! Apertou-me mais contra si, sentia o seu cheiro a violetas. Afagou suave e demoradamente o meu corpo delicado.
Uma coisa era certa, decidiram refrescar-me, lavar-me a alma. Mas, pelos vistos, as máquinas estavam fora de questão, talvez as mãos delicadas desta ruiva amorosa! 
A tarde corria  depressa como se cavalgasse ao encontro do pôr-do-sol, enquanto os empregados andavam numa azáfama, numa reviravolta, tira roupa, coloca roupa, seca roupa, dobra roupa... 
A ruivinha continuava  comigo ao colo, sem saber muito bem o que me fazer, para não estragar as minhas rendas e nervuras…
Aqueles olhos azul-céu, ora olhavam para mim com dó, ora com doçura…
Olhou à sua volta, a confusão tinha parado, os empregados tinham acabado o que havia para fazer ali. E num impulso, a ruivinha abraçou-me bem juntinho ao seu decote e aspirou generosamente o meu perfume.
- Huuummm! … - disse baixinho com voz meiga. - Tens um cheirinho que me enlouquece…
E, não resistindo, fez-me deslizar, escorregar, pelo seu corpo, apertando-me contra ela com força, até chegar ao seu ventre. Estreitou-me ainda mais e meteu-me entre as suas  pernas firmes e perfumadas. Gemeu. Estremeceu ao meu toque, parecia uma cadelinha com o cio. Estava ela bamboleando-se comigo, acariciando-me, apertando-me mais e mais entre as suas colunas romanas, quando pé ante pé, silenciosamente, entrou um colega de trabalho. Parecia um garoto desengonçado, o cabelo alourado, meio desgrenhado, a cara salpicada por uma ou outra borbulha, próprias da adolescência.  Ao ver a ruivinha, que não lhe saía da cabeça e que perseguia  sem se fazer notar desde que fora admitido no hotel, chegando a trocar de horário com os companheiros para fazer coincidir as suas horas com as dela, ali naquele êxtase, não resistiu... Ele que andava com as hormonas em tumulto, ele que não pensava noutra coisa senão encontrar-se com aqueles olhos azuis frente a frente, completamente desnudados, parecia que lhe tinha saído a sorte grande. Sentia-se a crescer, a desenrolar-se às sacudidelas... as calças eram apertadas para todo aquele volume que se adensava, se espessava... Abriu o fecho à pressa, com urgência, o bicho queria soltar-se, estava apertado, aprisionado... soltou-se como uma mola e agarrou-o com força, pois parecia-lhe que se queria libertar do resto do corpo... Encostou-se à parede, o espaço parecia andar à roda, tudo lhe parecia irreal, já não estava na lavandaria, estava num bosque aprazível, perfumado, luminoso... estava encostado a uma árvore a olhar aqueles olhos azuis cheios do céu que os cobria e os escondia do resto do mundo.  Começou a afagar o seu bichinho enorme, luzente, latejante... Soltou um suspiro e a ruiva corada de excitação baixou os olhos para aquele estandarte que se estendia na sua direcção... Levantou os olhos para o rosto do rapaz e apercebeu-se que nunca o tinha visto. Ele ofegava, lambia os lábios que se lhe secavam com a exaltação... 
Ela deixou-me escapar, deixou-me cair delicadamente, e abriu a bata... Os seus olhos continuavam presos no rosto jovem do rapaz, mas logo descaíram para o mastro que se estendia firme. A sua mão, os seus dedos irromperam pela sua mata amazónica completamente alagada. Ele viu naquele gesto um convite e aproximou-se e, para seu espanto, ela não fugiu nem se retraiu, levou-lhe os dedos àquela boca seca, àqueles lábios carnudos e ele lambeu-lhos e chupou-lhos desvairadamente.
- Ah, minha cadelinha selvagem, deves ter essa ratinha tão escorregadia, tão molhadinha…
Encostou-se a ela, beijou-a com força. Entre eles, o bicho exaltava-se, pulsava...
Ela joelhou-se sobre mim e sentiu-lhe o mastro enrijecido tocar-lhe a face enrubescida, afogueada…e, abocanhou-lho ferozmente.
- Ui, que boca tão gulosa!
Aquela haste estava tão molhadinha, tão saborosa, tão grande, tão agitada, tão escorregadiça que parecia clara de ovo… E entre o lamber, o chupar, o morder...  por vezes, o membro escapava-se  e batia-lhe no rosto…
Levantou-a e encostou-a à parede, espalmou-a com o seu corpo, sentiu-a estremecer, beijou-lhe o pescoço de garça, aspirou aquele cheiro bom que se desprendia daqueles cabelos cor de fogo, chupou-lhe os mamilos, levantou-lhe uma perna e penetrou-a com força. Ela gemia baixinho, e nem o receio de que chegasse alguém a travava, os segurava, parecia que ainda ficavam mais loucos…
Que insensatez!, pensei.
Ele conduziu-a para uma das máquinas, virou-a de costas, debruçou-a sobre o aparelho que oscilava velozmente, afastou-lhe as pernas, agarrou-a pelos seios e entrou de novo naquela gruta viscosa, gulosa, ávida.
- Oh, tão bom, - sussurrava ela - isso, isso, isso, hummm, enfia-mo todo…
Agarrou-lhe os testículos…
- Aaaaiiiii,  como é bom sentir as tuas bolas, brincar com elas…
Agarrou-a pela cintura e entre o balançar da máquina e o vaivém dos seus corpos insaciáveis, sôfregos, ela levou uma mão ao seu grelinho tremente e rijo e massajou-o fortemente…
- Aaaaiiiiiiiiiiiiiiiii, estou-me a vir toda para ti…
E ele, de supetão,  mais ligeiro que Mercúrio, escapou daquele vulcão em chamas, virou-a para si bruscamente, enquanto o seu néctar saía aos tropeções, aos solavancos, atingindo-a em cheio no rosto. O corpo dele agitado, tremia violentamente, num descontrolo de êxtase completo.  Ela, calma,  deliciava-se com a ambrósia caída sobre si, não dos céus, mas fruto do Apolo que lhe caiu nos braços naquela tarde, com quem já se cruzara tantas vezes, mas que nunca tinha realmente visto...
 

domingo, 4 de agosto de 2013

Um mundo só nosso





A descarada da empregadita atirou-me desajeitadamente para cima da poltrona e, quando terminou o serviço, esqueceu-me, debruçada sobre o braço forte do robusto cadeirão. Tentei acomodar-me o melhor possível, mas faltava-me o doce travesseiro para me acariciar os folhos e as nervuras... Agora, estava ele, com o ar mais tristonho e desprotegido deste mundo a olhar-me. Por fim, adormeci, depois de muito me remexer sobre o grosso veludo lavrado. 
E, ao acordar, fiquei surpreendida. Mesmo à minha frente, sentado com a cabeça entre as mãos e os cotovelos apoiados nas pernas, estava a Vitória, o indivíduo que cá estivera há coisa de uma ou duas semanas, não conseguia precisar bem. Estava acabrunhado,  abatido, pensativo, triste... Não me apercebi da sua chegada. Mas, que era estranho, era! Que estava ele a fazer ali sentado? Lembro-me da sua companheira ter dito que nunca deveriam repetir o lugar de encontro. Era a mulher bonita que recusou o presente, uma chave. Alguma coisa lhe deveria ter acontecido para estar ali e naquele estado tão prostrado, tão infeliz... A sua cara de desânimo incomodava-me. As pessoas iam ali para serem felizes!... Só para serem felizes!
E estava eu a tecer considerações, a reflectir sobre a condição humana e a busca da felicidade, do amor, do bem-estar... e nem a vi entrar. E ali estava ela, altiva e majestosa, no seu vestido de croché cor de marfim sobre a pele ligeiramente dourada, as sandálias de salto que lhe alongavam as pernas bem torneadas e levemente bronzeadas. No rosto, um certo ar enigmático misturado com alguma inquietação. De repente, pareceu-me que a vontade dela era gritar, barafustar, reclamar alto e bom som o quão incauto era aquele segundo encontro ali... Os olhos dela brilhavam de insatisfação, a boca era uma linha de desagrado, com um sorriso meio torcido... Mas, ao olhá-lo, as suas feições foram-se adocicando, amaciando... Aquele abatimento afligia-a...
Aproximou-se, ajoelhou-se à sua frente e, com um dedo, ergueu-lhe o rosto. Os seus olhos encontraram-se e ela depositou-lhe nos lábios um beijo leve, como se fosse uma doce borboleta a poisar numa terna e bela flor. Os lábios dele tremeram àquele contacto. Ficaram, por momentos, sem nada dizer, olhando-se apenas nos olhos. Os olhos dele pareciam querer entrar naqueles olhos esperança...
- Que se passa? Não quero ver-te assim!
- Não consigo, a minha vida parece um castelo de cartas prestes a cair. Desculpa pedir-te para vires aqui, mas precisava de ver-te, de falar-te, de tocar-te...
- Mas, o que aconteceu, não tínhamos combinado que durante as férias não nos veríamos?
- Sim, mas esta semana foi horrível, como posso passar um mês sem te ver, sem te tocar, sem ouvir o teu riso?...
- Setembro chega logo e há o telefone, as redes sociais... Não é preciso fazeres um drama.
- Tu não me amas, como eu te amo!
- Não digas disparates! – disse a sorrir. – Onde está aquela tua teoria de que numa ligação amorosa há sempre um que ama mais... Sorri, vá lá! Eu estou aqui, não estou! Vim logo, não vim? Só pode ser porque te amo, não?
- Ontem, aconteceu-me uma coisa estranhíssima: estava com a Vera, beijava-a, mas era a tua boca que eu buscava na dela e não a sentia; olhava-a nos olhos, mas eram os teu olhos verdes que eu queria ver, não os dela. Pareciam mato queimado. Os olhos dela pareciam os teus depois de um incêndio... Fiquei aflito! Fechei os olhos, não queria fitar aqueles olhos castanhos, mortiços; queria os teus, vivos, verdejantes, cheios de esperança... 
Ela abraçou-me e não eram os braços roliços dela que eu queria à minha volta, eram os teus que eu queria, os teus que me apertam com tanta força; as tuas mãos que me apertam as nádegas como se me quisesses pôr todo dentro de ti; eram as tuas mãos que eu queria a afagarem-me as costas, eram as tuas unhas que eu queria cravadas nas minhas costas, no meu corpo, nas minhas nádegas. Agarrei-lhe os peitos e larguei-os logo, eram os teus seios pequenos, do tamanho das minhas mãos que eu queria agarrar. Tentei beijar-lhos e, de repente, senti-me asfixiar naqueles úberes fartos... 
Eu queria as tuas pernas esguias entrelaçadas nas minhas, não as dela... Eu queria-te a ti, só a ti, mas só a tinha a ela! E fazia força para pensar que eras tu que estavas ali, mas não estavas, não vinhas, não eras...
Mas, o mais estranho foi o que se seguiu: eu queria logo acabar aquilo, não estava a ser bom, o sacrifício era enorme... Senti como se me soltasse do meu corpo e vi-me a observar aquela cena como se fosse outra pessoa. E o que via? Via-me tenso, num vaivém descontrolado, desajeitado, com os olhos tão cerrados que doíam... e tive pena de mim, pena daquele indivíduo nu, ridículo,  em cima duma matrafona a fazer amor como se fosse o maior suplício, a maior tortura... E vi-me a gritar, vem-te, vem-te! E a cavalgá-la feito louco, desastrado, à bruta! Eu só queria que ela se viesse e que tudo acabasse depressa! Eu só queria sair de cima dela, tomar banho, arrancar todo e qualquer vestígio do corpo dela... E o outro eu observava-me, ria-se descontroladamente e gritava também. Não sei o que dizia!... Por fim, apercebi-me que gritava comigo: vem-te, vem-te, vem-te de uma vez...
E a Vera veio-se e eu fugi para a casa de banho e deixei o outro a rir-se na cara da Vera que dizia, querido, mas tu não conseguiste, que se passa? Nada, não se passa nada, gritei-lhe, dorme. E tomei banho e esfreguei-me e deixei a água correr-me em cima... quente, fria, quente... Quando saí, a Vera dormia.
- Querido, mas nós decidimos que não iríamos construir a nossa felicidade em cima da infelicidade dos outros, lembras-te? Eu não posso fazer mal à Vera nem ao meu marido. Eu disse-te sempre que só poderíamos ser amantes. Tu concordaste. Eu amo-te e não quero que sofras, mas também não quero fazer sofrer outras pessoas, os teus filhos, os meus...
- Eu sei tudo isso, tu foste sempre muito reticente, não querias... Eu insisti e insisti e pensei ser mais fácil do que afinal é! Tu és bem mais forte do que eu, é o que é!
- Olha, é só uma questão de não misturarmos as coisas!
- Parece tão fácil, meu amor! Eu só te quero a ti, quem me dera podermos ser um do outro, só isso, construirmos um mundo só nosso.
- Mas nós temos um mundo só nosso!
- Beija-me, preciso dos teus lábios, dos teus braços, das tuas mãos, da tua pele... Preciso da quietude, da serenidade do teu olhar... Gosto tanto quando me lambes os lábios, quando mos mordes, quando mos chupas... Perco-me com os teus beijos doces, quentes, suaves...
E beijou-o e segredou-lhe ao ouvido o quanto o queria, o quanto o amava e que tudo ia ficar bem, porque um amor assim vale todos os sacrifícios.
E ele puxou-a para cima dele, puxou-lhe o vestido e arrancou-lho pela cabeça, beijou-a, desapertou-lhe o soutien e apertou-lhe os seios com ambas as mãos. Que bem se moldavam... tinham o tamanho ideal, cabiam-lhe tão bem nas suas mãos. E a cintura estreita que adorava apertar e as nádegas firmes que gostava de puxar para si, enquanto o seu membro desabrochava como louco, esticando-se rijo, quente, palpitante entre as coxas de veludo dela, à procura de um refúgio quente e apertadinho...
Ela desabotoou-lhe a camisa, esticou os braços, com as suas mãos nas dele, beijando-o e passando-lhe os cabelos pela cara e pelo pescoço. Ai, as mãos dela cabiam tão bem dentro das suas, os dedos entrelaçavam-se... Tudo tão à medida! 
Agarrou-lhe o rosto e beijou-lhe os olhos, a boca; despenteou-lhe o cabelo, enfiando os dedos por entre o cabelo fino... E foi descendo pelo corpo dele, varrendo-o com os fios de ouro; penetrou-lhe o umbigo com a língua e tirou-lhe, por fim, as calças... 
Estavam, agora, nus... Uniram-se num abraço apertado e gemeram de prazer, um arrepio bom percorreu-lhes todo o corpo; a respiração acelerava... E ele deitou-se por cima dela devagar, olhando-a nos olhos, beijando-a e foi entrando lentamente dentro dela e gemiam os dois e estremeciam entre os braços um do outro e olhavam-se ainda e iam e vinham e iam e vinham, entre beijos doces e loucos, entre juras de amor... E, os braços dela apertavam-no tão fortemente e as pernas entrançavam-se nas dele e as mãos agarravam-se-lhe às nádegas e puxavam-no para si com força e, quando chegaram, enfim, ao cume, ela agarrou-se-lhe aos ombros como se o quisesse levar com ela para aquele abismo bom... Era como se se soltassem deles próprios, dos seus corpos e vagueassem sem destino, sentindo só um imenso prazer... Balbuciavam palavras de amor, incompreensíveis, enlaçados, completamente atados um ao outro... e, depois, era como se reemergissem e ainda abraçados, agitados, a tremer, olharam-se fundo nos olhos e beijaram-se longamente...