Duas da tarde. A porta abriu-se,
deixando passar uma senhora alta, elegante, bonita. Ele, atrás, fechou a porta com
o pé e enlaçou-a pelos ombros. Levantou-lhe o cabelo e beijou-lhe o pescoço.
Ela estremeceu, virou-se devagar, recuou até aos pés da cama e encostou-se,
olhou-o desconfiada, mas não receosa. Sentou-se.
- Há três anos que espero por este
momento, - disse ele, enquanto lhe agarrava o rosto bonito e a olhava nos
olhos.
Aquele olhar seduzira-o desde
sempre, aqueles olhos grandes, adornados de longas e belas pestanas, diziam tudo. Ela baixou o olhar, incomodada, parecia que ele
lhe queria entrar pelos olhos...
Ele levantou-lhe o rosto com um dedo
e beijou-a levemente como um roçar de asas, sempre a olhá-la nos olhos.
- O teu olhar, não sei o que tem o teu
olhar, mas deixa-me doido, passo horas a olhar para os teus olhos e não me
canso. A foto já está gasta de tanto a olhar.
Ela mantinha-se quieta, as mãos no
regaço. Ele falava e beijava-a, ela ouvia calada, sem reacção...
- Não dizes nada? Que se passa? Sou
muito diferente? Não me conhecias pessoalmente, mas há três anos que
conversamos todos os dias, que trocamos mensagens, que falamos ao telefone...
Ai, a voz dela! Quando a ouviu pela
primeira vez, linda, jovial, sensualíssima, tremeu. A voz começou a sair-lhe
aos tropeções, ficara nervoso, apaixonara-se mais ainda. Quem disse que não nos
podemos apaixonar por uma pessoa, só pela fotografia? Quem disse ser impossível
ficarmos completamente loucos por uma voz? Ela era bonita, culta, inteligente e
tinha uma voz capaz de dar vida aos mortos. Sempre que falavam ao telefone, a
voz tremia-lhe, tentava tudo para se manter calmo, mas não conseguia. Do outro
lado, ela apercebia-se e ria. Ai, aquele riso, natural, límpido, fresco! O
sorriso já ele conhecia das fotografias!
- As fotos não são pessoas! – exclamou
ela.
- Ficaste desiludida? Ficaste? Queres ir embora?
- Ficaste desiludida? Ficaste? Queres ir embora?
Não podia deixá-la ir! Nem pensar!
Puxou-a para si, apertou-a nos braços e procurou-lhe a boca. Ela, primeiro,
resistiu, mas, depois, deixou-se levar.
- Ai, a tua boca sabe tão bem. É tão
boa! Os teus lábios parecem polpa de fruta...
A boca dele sabia a pastilha de
mentol, misturada com tabaco e os seus
beijos tão apressados! Calma, pensou, vais comer-me, engolir-me... Que
sofreguidão!
Ela preferia ir lentamente: lamber
os lábios, mordiscá-los, chupá-los... Tudo muito devagar! Procurar-lhe a língua
com a sua, lamber-lha, chupar-lha até quase lhe arrancar a alma... Ele, no
entanto, continuava apressado. As mãos exploravam-lhe o corpo, enfiavam-se por
debaixo da roupa.
- Meu Deus, tens pele de bebé! Desejei
tanto este momento, desejo-te há tanto tempo...
Tirou-lhe a blusa e sempre a
beijá-la, sempre com ela bem presa nos seus braços, devagar, deitou-a e
beijou-lhe o pescoço, o peito, o V que lhe separava os seios. Desenvencilhou-se
da camisa, dos sapatos. Roçou o seu corpo no dela. Com os pés, descalçou-a.
Beijava-lhe o umbigo e desapertava as calças dele e as dela. Por fim, ficaram praticamente nus.
Ele parou. Ela, que mantivera os olhos fechados até aí, abriu-os e olhou-o. Ele
estava a observá-la. Os olhares cruzaram-se.
Afastaram-me e às demais almofadas.
- Tu és linda, uma deusa! Só de te
olhar, enlouqueço.
Deitou-se ao seu lado, virou-a para
si, desapertou-lhe o soutien e
beijou-lhe os mamilos e foi beijando, sorvendo aquele perfume bom. Desprenderam-se do resto da roupa e
enlaçaram-se fortemente.
- Estou tão excitado! Já estava, só de
pensar que ia estar contigo... Tu pões-me louco! Não sei se me consigo aguentar...
Caramba, o que é que tu tens? Nunca fiquei assim com mulher nenhuma.
Ela riu-se e ele ergueu-se de modo a
ver-lhe o rosto e ficou a olhá-la. O seu riso era lindo, cantante.
- Tu és doce, mas solta-te, estás
tensa ainda! Diz que me queres! Diz.
Tombou de novo sobre ela e beijou-a,
as bocas ávidas procuravam-se agora com violência. Ela, por fim, cravou-lhe os
dedos nas costas e puxou-o para ela.
- Isso. Fico louco.
Afastou-lhe as pernas e, olhando-a
nos olhos começou a entrar dentro dela.
- Não. Não feches os olhos. Deixa-me
olhá-los, deixa-me ver como ficam, enquanto fazemos amor.
Ela cravou-lhe as unhas nas costas e
ouviu-se um gemido. Puxou-o com força para ela, enlaçou-o com as pernas.
- Ai, não! Tu excitas-me tanto!
Ele rodou, ficando por baixo dela.
Agora, estás à minha mercê, pensou
ela, cavalgando-o devagar, depressa, devagar, devagar, lentamente, rodando,
contorcendo-se... Ele gemia de prazer. De repente, ela parou. Ele abriu os olhos
inquiridores, espantados. Ela deitou-se sobre ele, beijou-lhe os lábios,
mordendo-os e recomeçou o vaivém vagarosamente, progressivamente... Ficou,
depois, com os joelhos junto aos quadris dele, sobre ele, e subia e descia até
ao fundo e subia até o membro ficar quase totalmente fora dela. Estava grande,
eriçado, duro, totalmente lambuzado. A seguir, desceu até ao fundo de forma tão
violenta que ele gritou:
- Malvada, matas-me, assim venho-me.
E o riso dela suava cristalino.
- Espera por mim – pediu-lhe. – Não te
atrevas... Bato-te, mordo-te todo.
- Louca, tu és louca e pões-me doido!
O sol descia sobre o mar e a noite
cavalgava, subindo. Anoiteceria, entretanto.
E ela descia e subia, descia e subia.
- Não aguento mais!
Virou-a, colocou-se por cima dela, e
enfiou-se todo dentro dela. Ela gemeu, contorceu-se, dançou com ele a dança do
amor e, de repente, bramiram ambos, mas abafaram o grito com um longo beijo e
um abraço apertado. Ele deslizou sobre ela e adormeceram abraçados...
Só sentia, junto a mim, a respiração
agora lenta e tranquila dos dois.

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