sexta-feira, 26 de abril de 2013

As fotos não são pessoas




Duas da tarde. A porta abriu-se, deixando passar uma senhora alta, elegante, bonita. Ele, atrás, fechou a porta com o pé e enlaçou-a pelos ombros. Levantou-lhe o cabelo e beijou-lhe o pescoço. Ela estremeceu, virou-se devagar, recuou até aos pés da cama e encostou-se, olhou-o desconfiada, mas não receosa. Sentou-se.
          - Há três anos que espero por este momento, - disse ele, enquanto lhe agarrava o rosto bonito e a olhava nos olhos.
Aquele olhar seduzira-o desde sempre, aqueles olhos grandes, adornados de longas e belas pestanas, diziam tudo. Ela baixou o olhar, incomodada, parecia que ele lhe queria entrar pelos olhos...
Ele levantou-lhe o rosto com um dedo e beijou-a levemente como um roçar de asas, sempre a olhá-la nos olhos.
           - O teu olhar, não sei o que tem o teu olhar, mas deixa-me doido, passo horas a olhar para os teus olhos e não me canso. A foto já está gasta de tanto a olhar.
Ela mantinha-se quieta, as mãos no regaço. Ele falava e beijava-a, ela ouvia calada, sem reacção...
           - Não dizes nada? Que se passa? Sou muito diferente? Não me conhecias pessoalmente, mas há três anos que conversamos todos os dias, que trocamos mensagens, que falamos ao telefone...
Ai, a voz dela! Quando a ouviu pela primeira vez, linda, jovial, sensualíssima, tremeu. A voz começou a sair-lhe aos tropeções, ficara nervoso, apaixonara-se mais ainda. Quem disse que não nos podemos apaixonar por uma pessoa, só pela fotografia? Quem disse ser impossível ficarmos completamente loucos por uma voz? Ela era bonita, culta, inteligente e tinha uma voz capaz de dar vida aos mortos. Sempre que falavam ao telefone, a voz tremia-lhe, tentava tudo para se manter calmo, mas não conseguia. Do outro lado, ela apercebia-se e ria. Ai, aquele riso, natural, límpido, fresco! O sorriso já ele conhecia das fotografias!
           - As fotos não são pessoas! – exclamou ela.
           - Ficaste desiludida? Ficaste? Queres ir embora?
Não podia deixá-la ir! Nem pensar! Puxou-a para si, apertou-a nos braços e procurou-lhe a boca. Ela, primeiro, resistiu, mas, depois, deixou-se levar.
           - Ai, a tua boca sabe tão bem. É tão boa! Os teus lábios parecem polpa de fruta...
A boca dele sabia a pastilha de mentol, misturada com tabaco e  os seus beijos tão apressados! Calma, pensou, vais comer-me, engolir-me... Que sofreguidão!
Ela preferia ir lentamente: lamber os lábios, mordiscá-los, chupá-los... Tudo muito devagar! Procurar-lhe a língua com a sua, lamber-lha, chupar-lha até quase lhe arrancar a alma... Ele, no entanto, continuava apressado. As mãos exploravam-lhe o corpo, enfiavam-se por debaixo da roupa.
           - Meu Deus, tens pele de bebé! Desejei tanto este momento, desejo-te há tanto tempo...
Tirou-lhe a blusa e sempre a beijá-la, sempre com ela bem presa nos seus braços, devagar, deitou-a e beijou-lhe o pescoço, o peito, o V que lhe separava os seios. Desenvencilhou-se da camisa, dos sapatos. Roçou o seu corpo no dela. Com os pés, descalçou-a. Beijava-lhe o umbigo e desapertava as calças dele  e as dela. Por fim, ficaram praticamente nus. Ele parou. Ela, que mantivera os olhos fechados até aí, abriu-os e olhou-o. Ele estava a observá-la. Os olhares cruzaram-se.
Afastaram-me e às demais almofadas.
           - Tu és linda, uma deusa! Só de te olhar, enlouqueço.
Deitou-se ao seu lado, virou-a para si, desapertou-lhe o soutien e beijou-lhe os mamilos e foi beijando, sorvendo aquele perfume bom.  Desprenderam-se do resto da roupa e enlaçaram-se fortemente.
           - Estou tão excitado! Já estava, só de pensar que ia estar contigo... Tu pões-me louco! Não sei se me consigo aguentar... Caramba, o que é que tu tens? Nunca fiquei assim com mulher nenhuma.
Ela riu-se e ele ergueu-se de modo a ver-lhe o rosto e ficou a olhá-la. O seu riso era lindo, cantante.
           - Tu és doce, mas solta-te, estás tensa ainda! Diz que me queres! Diz.
Tombou de novo sobre ela e beijou-a, as bocas ávidas procuravam-se agora com violência. Ela, por fim, cravou-lhe os dedos nas costas e puxou-o para ela.
           - Isso. Fico louco.
Afastou-lhe as pernas e, olhando-a nos olhos começou a entrar dentro dela.
           - Não. Não feches os olhos. Deixa-me olhá-los, deixa-me ver como ficam, enquanto fazemos amor.
Ela cravou-lhe as unhas nas costas e ouviu-se um gemido. Puxou-o com força para ela, enlaçou-o com as pernas.
           - Ai, não! Tu excitas-me tanto!
Ele rodou, ficando por baixo dela.
Agora, estás à minha mercê, pensou ela, cavalgando-o devagar, depressa, devagar, devagar, lentamente, rodando, contorcendo-se... Ele gemia de prazer. De repente, ela parou. Ele abriu os olhos inquiridores, espantados. Ela deitou-se sobre ele, beijou-lhe os lábios, mordendo-os e recomeçou o vaivém vagarosamente, progressivamente... Ficou, depois, com os joelhos junto aos quadris dele, sobre ele, e subia e descia até ao fundo e subia até o membro ficar quase totalmente fora dela. Estava grande, eriçado, duro, totalmente lambuzado. A seguir, desceu até ao fundo de forma tão violenta que ele gritou:
           - Malvada, matas-me, assim venho-me.
E o riso dela suava cristalino.
           - Espera por mim – pediu-lhe. – Não te atrevas... Bato-te, mordo-te todo.
           - Louca, tu és louca e pões-me doido!
O sol descia sobre o mar e a noite cavalgava, subindo. Anoiteceria, entretanto.  E ela descia e subia, descia e subia.
           - Não aguento mais!
Virou-a, colocou-se por cima dela, e enfiou-se todo dentro dela. Ela gemeu, contorceu-se, dançou com ele a dança do amor e, de repente, bramiram ambos, mas abafaram o grito com um longo beijo e um abraço apertado. Ele deslizou sobre ela e adormeceram abraçados...
Só sentia, junto a mim, a respiração agora lenta e tranquila dos dois.


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